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Defensor dos direitos humanos?

  • Defensor dos direitos humanos?

    Conselhos para organizações que precisam se proteger da escuta do governo

    Caso atue em uma organização cujo trabalho possa ser monitorado por governos, localmente ou em viagem, você precisa pensar em blindar as suas comunicações. Aqui está um guia básico para pensar no planejamento de sua autoproteção em relação à vigilância institucional.

  • Avaliando Seus Riscos

    Tentar proteger todos os seus dados de todas as pessoas e todo o tempo é impraticável e extremamente cansativo. Mas não se preocupe! Segurança é um processo, e através de planejamento cuidadoso você pode avaliar o que é o ideal para você. Segurança não se trata das ferramentas que você utiliza ou dos programas que baixa, ela começa com a compreensão de quais são as ameaças específicas que você enfrenta e como você pode combatê-las.

    Em segurança da informação, uma ameaça é um evento potencial que pode tornar menos efetivos os esforços que você faz para defender seus dados. Você pode combater as ameaças que enfrenta ao entender que coisas precisa proteger, bem como de quem precisa protegê-las. Este processo é chamado de modelagem de ameaças.

    Este guia o ensinará como modelar ameaças, ou como avaliar os riscos aos quais suas informações digitais estão expostos e determinar quais as melhores soluções para você.

    Como é o processo de modelagem de ameaças? Vamos dizer que você deseja manter sua casa e seus bens seguros... Aqui estão algumas perguntas que você pode querer se fazer:

    O que eu tenho dentro da minha casa merece ser protegido?

    • Ativos podem incluir jóias, eletrônicos, documentos financeiros, passaportes ou fotos.

    De quem eu quero proteger estes ativos?

    • Adversários podem incluir: ladrões, colegas de quarto e visitas.

    O quão provável é que eu precise proteger estes ativos?

    • Minha vizinhança tem um histórico de roubos? O quão confiável são meus colegas de quarto/visitas? Quais são os recursos de meus adversários? Que riscos eu devo considerar?

    O quão graves serão as consequências caso eu falhe?

    • Eu tenho alguma coisa na minha casa que eu não tenha como repor? Eu tenho tempo ou dinheiro para repor ativos? Eu tenho um seguro que cubra ativos roubados da minha casa?

    Até onde eu estou disposto a ir para me prevenir destas consequências?

    • Eu estou disposto a comprar um cofre para documentos importantes? Eu tenho recursos para comprar uma fechadura de alta qualidade? Tenho tempo para alugar um cofre no meu banco e manter meus objetos de valor neste cofre?

    Uma vez que você tenha se feito estas perguntas, você estará em condições de avaliar que medidas deve tomar. Se suas posses são valiosas mas o risco de um roubo à sua casa é baixo, então talvez você decida não investir muito dinheiro em uma fechadura. Por outro lado, se o risco for alto você desejará comprar a melhor fechadura do mercado e ainda instalar um sistema de segurança.

    Construir um modelo de ameaça o ajudará a entender as ameaças específicas que você corre e a avaliar seus ativos, seus adversários e os recursos que estes adversários possuem, bem como a probabilidade de que tais riscos se tornem realidade.

    O que é modelagem de ameaças e por onde eu começo?

    A modelagem de ameaças o ajuda a identificar ameaças às coisas que você dá valor e determinar de quem precisa protegê-las. Quando estiver construindo um modelo de ameaça, responda a estas cinco perguntas:

    1. Que coisas eu quero proteger?
    2. De quem eu quero protegê-las?
    3. O quão graves serão as consequências caso eu falhe?
    4. O quão provável é que eu precise protegê-las?
    5. Até onde eu estou disposto a ir para tentar evitar potenciais consequências?

    Vamos avaliar uma a uma estas perguntas.

    Que coisas eu quero proteger?

    Um “ativo” é algo ao qual você dá valor e que deseja proteger. No contexto de segurança digital, um ativo é normalmente algum tipo de informação. Por exemplo: seus e-mails, lista de contatos, mensagens instantâneas e arquivos são todos possíveis ativos. Seus dispositivos também podem ser ativos.

    Faça uma lista de seus ativos: dados que você mantém, onde eles são mantidos, quem tem acesso a eles, e o que impede que outros os acessem.

    De quem eu quero protegê-las?

    Para responder a esta pergunta, é importante identificar quem pode ter você ou suas informações como alvo. Uma pessoa ou entidade que represente uma ameaça aos seus ativos é um “adversário”. Exemplos de potenciais adversários são seu chefe, seu ex-cônjuge ou ex-namorado(a), seu concorrente, seu governo, ou um hacker numa rede pública.

    Faça uma lista de seus adversários, ou daqueles que possam ter interesse em ter acesso aos seus dados. Sua lista pode incluir pessoas, agências governamentais ou empresas.

    Dependendo de quem sejam seus adversários, em alguns casos esta lista pode se tornar algo que você queira destruir após terminar sua modelagem de ameaça.

    O quão graves serão as consequências caso eu falhe?

    Existem diversas formas pelas quais um adversário pode ameaçar seus dados. Por exemplo, um adversário pode ler suas comunicações pessoais enquanto tem acesso à rede, ou pode apagar ou corromper seus dados.

    Os objetivos dos adversários diferem enormemente, assim como seus ataques. Um governo tentando evitar a disseminação de um vídeo que mostra violência policial pode se satisfazer simplesmente apagando ou reduzindo a disponibilidade deste vídeo. Por outro lado, um adversário político pode querer ter acesso a conteúdos secretos e publicar este conteúdo sem que você saiba.

    A modelagem de ameaças envolve compreender o quão graves as consequências podem ser caso um adversário ataque com sucesso um de seus ativos. Para chegar a esta conclusão, você deve levar em conta os recursos dos quais seu adversário dispõe. Por exemplo, sua operadora de telefonia móvel tem acesso a todas as suas ligações e, consequentemente, a capacidade de usar estes dados contra você; um hacker numa rede Wi-Fi aberta pode acessar suas comunicações não criptografadas; já seu governo pode ter recursos ainda mais abrangentes.

    Coloque num papel o que o seu adversário pode querer fazer com seus dados privados.

    O quão provável é que eu precise protegê-las?

    Risco é a probabilidade de que uma ameaça específica contra um ativo específico efetivamente venha a se concretizar. Ele é sempre proporcional à capacidade. Apesar de sua operadora de telefonia celular ter a capacidade de acessar todos os seus dados, o risco de que ela poste seus dados online para prejudicar sua reputação é baixo.

    É importante distinguir entre ameaças e riscos. Enquanto uma ameaça é algo ruim que pode ocorrer, risco é a probabilidade de que esta ameaça seja levada a termo. Por exemplo, sempre há a ameaça de que seu prédio possa desmoronar, mas o risco de isso acontecer é bem maior em São Francisco (onde terremotos são comuns) do que em Estocolmo (onde eles não são).

    Efetuar uma análise de risco é ao mesmo tempo um processo pessoal e subjetivo: nem todas as pessoas têm as mesmas prioridades ou enxergam ameaças da mesma forma. Muitas pessoas acham certas ameaças inaceitáveis, independente do risco delas ocorrerem, porque a mera presença da ameaça, por menor que seja o risco, não compensa. Em outros casos, pessoas desprezam riscos altos porque não veem a ameaça como um problema.

    Coloque num papel quais ameaças você deseja levar a sério, e quais são tão raras ou tão sem consequências (ou difíceis de combater) que não vale à pena se preocupar.

    Até onde eu estou disposto a ir para tentar evitar potenciais consequências?

    Responder a esta pergunta requer a condução da análise de riscos. Nem todas as pessoas têm as mesmas prioridades ou enxergar as ameaças da mesma maneira.

    Por exemplo, um advogado que representa um cliente em um caso de segurança nacional estará provavelmente disposto a utilizar mais recursos para proteger as comunicações sobre o caso, como por exemplo utilizar e-mails criptografados, do que uma mãe que regularmente envia à sua filha e-mails com vídeos engraçados de gatos.

    Coloque num papel as opções disponíveis para ajudá-lo a atenuar as ameaças que você enfrenta pessoalmente. Leve em conta suas restrições de orçamento, técnicas, ou sociais.

    Modelagem de ameaças como uma prática regular

    Tenha em mente que seu modelo de ameaça pode mudar de acordo com a mudança da sua situação pessoal. Desta maneira, conduzir modelagens de ameaça frequentes é uma boa prática.

    Crie seu próprio modelo de ameaça baseado em sua situação única. Feito isso, marque em sua agenda uma data no futuro para rever este modelo de ameaça e verificar se ele ainda se enquadra na sua situação.

    Última revisão: 
    07-09-2017
  • Comunicando-se com outros

    As redes de telecomunicação e a internet tornaram a comunicação entre as pessoas mais fácil do que nunca, mas também permitiram que a vigilância se tornasse mais predominante do que jamais se viu na história da humanidade. Cada telefonema, mensagem de texto, e-mail, mensagem instantânea, ligação de voz sobre IP (VoIP), vídeo chat e mensagem de redes sociais podem ser vulneráveis a intrusos, caso não se tome medidas adicionais para proteger sua privacidade.



    Na maioria das vezes, a maneira mais segura de se comunicar com outras pessoas é pessoalmente, sem a presença de computadores ou telefones. Uma vez que isso nem sempre é possível, o melhor a ser feito é utilizar a criptografia ponto a ponto, caso precise proteger o conteúdo de suas comunicações quando se comunicar por meio de uma rede.

    Como funciona a criptografia ponto a ponto?

    Quando duas pessoas querem se comunicar de modo seguro (por exemplo, a Akiko e o Boris), elas precisam gerar individualmente chaves de criptografia. Antes da Akiko enviar uma mensagem para o Boris, ela criptografa a chave dele para que somente o Boris possa decifrá-la. Então ela envia a mensagem já criptografada pela internet. Se alguém estiver espionando a Akiko e o Boris, mesmo que tenha acesso ao serviço que ela está utilizando para enviar essa mensagem (como a sua conta de e-mail), esta pessoa apenas verá os dados criptografados, mas não conseguirá ler a mensagem. Quando o Boris recebê-la, deve utilizar sua chave para descriptografá-la, tornando-a legível.



    A criptografia ponto a ponto requer algum sacrifício, mas é a única maneira dos usuários verificarem a segurança das suas comunicações, sem ter de confiar na plataforma que estão utilizando. Alguns serviços, como o Skype, afirmam que oferecem a criptografia ponto a ponto, mas, ao que parece, não a fazem. Para que a criptografia ponto a ponto seja segura, os usuários devem verificar se a chave que está criptografando as mensagens pertence à pessoa que eles acreditam que a criaram. Se o software de comunicação não tem essa capacidade integrada, então qualquer mensagem criptografada poderia, por exemplo, ser interceptada pelo próprio provedor de serviços, caso algum governo o obrigue a isso.

    Você pode ler o informativo Encryption Works (Funcionamento da Criptografia), da Freedom of the Press Foundation (Fundação para a Liberdade de Imprensa), para obter instruções detalhadas sobre como utilizar a criptografia ponto a ponto para proteger suas mensagens instantâneas e e-mails. Confira também os seguintes módulos da SSD:

    Chamadas de voz

    Quando você faz uma ligação por telefone fixo ou celular, sua chamada não é criptografada ponto a ponto. Se estiver utilizando um aparelho móvel, a ligação pode ser (tenuemente) criptografada entre o seu celular e as torres de telefonia. No entanto, como sua conversa viaja pela rede de transmissão, ela é vulnerável à interceptação pela sua companhia telefônica e extensivamente por todos os governos ou organizações que têm poder sobre a sua empresa de telefonia. A maneira mais fácil de garantir que você tenha a criptografia ponto a ponto nas conversas de voz é utilizar o VoIP.

    Cuidado! A maioria dos provedores de VoIP, como o Skype e o Google Hangouts, oferecem criptografia em trânsito, de modo que os espiões não podem ouvi-las, porém seus próprios provedores ainda têm potencial de escutá-las. Isso pode ou não ser um problema, dependendo do seu modelo de ameaça.

    Dentre alguns serviços que oferecem a criptografia ponto a ponto nas chamadas por VoIP, incluem-se:

    Para ter conversas de VoIP criptografadas ponto a ponto, ambos devem utilizar o mesmo software (ou compatível).

    Mensagens de texto

    As mensagens de texto padrões (SMS) não dispõem de criptografia ponto a ponto. Se você quer enviar mensagens criptografadas pelo seu telefone, considere utilizar um software de mensagens instantâneas criptografadas em vez de mensagens de texto SMS.

    Alguns serviços de mensagens instantâneas criptografadas ponto a ponto utilizam seu próprio protocolo. Então, por exemplo, os usuários do Signal, no Android e no iOS, podem conversar de modo seguro com outras pessoas que utilizam esses programas. O ChatSecure é um aplicativo móvel que criptografa conversas com o OTR em qualquer rede que usa o XMPP, significando que você pode escolher dentre os serviços, independentes de mensagens instantâneas.

    Mensagens instantâneas

    O Off-the-Record (OTR) (Fora da Banda) é um protocolo de criptografia ponto a ponto para mensagens de texto em tempo real, o qual pode ser utilizado no topo de uma série de serviços.

    Dentre algumas ferramentas que incorporam o OTR nas mensagens instantâneas, incluem-se:

    Email

    A maioria dos provedores de e-mail proporciona uma maneira de você acessá-los utilizando um navegador da Web, como o Firefox ou o Chrome. A maioria desses provedores suporta o protocolo HTTPS ou a criptografia de camada de transporte (do inglês transport-layer encryption). Você pode verificar se o seu provedor de e-mail suporta o protocolo HTTPS, acessando o seu webmail e conferindo se a URL no topo do seu navegador começa com as letras HTTPS em vez de HTTP (por exemplo: https://mail.google.com).

    Caso o seu provedor de e-mail suporte o HTTPS, mas não o faz por padrão, tente substituir o HTTP pelo HTTPS na URL e atualizar a página. Caso queira ter a certeza de sempre estar utilizando o protocolo HTTPS nos sites onde estiver disponível, faça o download do complemento do navegador HTTPS Everywhere, no Firefox ou no Chrome.

    Dentre alguns provedores de webmail que utilizam o protocolo HTTPS por padrão, incluem-se:

    • Gmail
    • Riseup
    • Yahoo

    Alguns provedores de webmail dão a opção de escolher utilizar o HTTPS por padrão, selecionando-o em suas configurações. O serviço mais popular, que ainda faz isso, é o Hotmail.



    O que faz a criptografia de camada de transporte (do inglês transport-layer encryption) e por que você precisa dela? O HTTPS, também referido como SSL ou TLS, criptografa suas comunicações de modo que elas não possam ser lidas por outras pessoas na sua rede. Isso pode incluir as que estão utilizando a mesma rede Wi-Fi em um aeroporto ou em uma cafeteria, no seu escritório ou na escola, os administradores de seu ISP, hackers maliciosos, agentes da lei ou do governo. As comunicações enviadas pelo seu navegador da Web, incluindo as páginas que você visita e o conteúdo de seus e-mails, postagens e mensagens, utilizando o protocolo HTTP em vez do HTTPS são de pouca importância para um oponente interceptá-las e lê-las.

    O HTTPS é o nível mais básico de criptografia para sua navegação na Web e é recomendado a todos. Ele é tão básico quanto colocar o cinto de segurança ao dirigir.



    Mas há algumas coisas que o HTTPS não faz. Quando você envia um e-mail utilizando o HTTPS, o seu provedor de e-mail ainda recebe uma cópia não criptografada da sua comunicação. Os governos e os agentes de aplicação da lei podem obter um mandato para acessar esses dados. Nos Estados Unidos, a maioria dos provedores de e-mail têm uma política que informa quando essas empresas receberem uma solicitação do governo, para que cedam os dados do usuário, desde que estejam legalmente autorizados a fazê-lo. Essas políticas, porém, são estritamente voluntárias e, em muitos casos, os provedores estão legalmente impedidos de informar essas solicitações de dados aos seus usuários. Alguns provedores de e-mail, como o Google, Yahoo e Microsoft, publicam relatórios de transparência, detalhando o número de solicitações que recebem do governo sobre os dados dos usuários, quais países fazem esses pedidos e quantas vezes a empresa cedeu essas informações.



    Se o seu modelo de ameaça inclui um governo ou agentes de aplicação da lei, ou se você tem alguma outra razão para assegurar que seu provedor de e-mail não possa ceder o conteúdo de suas comunicações por e-mail a um terceiro, considere utilizar a criptografia ponto a ponto nas suas comunicações por e-mail.

    A PGP (do inglês Pretty Good Privacy, que significa uma Privacidade Muito Boa) é um padrão para a criptografia ponto a ponto do seu e-mail. Utilizada corretamente, ela oferece proteções muito fortes às suas comunicações. Para instruções detalhadas de como instalar e utilizar a criptografia PGP para o seu e-mail, consulte os guias de:

    O que a criptografia ponto a ponto não faz?

    A criptografia ponto a ponto protege apenas o conteúdo das suas comunicações e não o fato da comunicação em si. Ela não protege os seus metadados - que é todo o restante, incluindo a linha de assunto do seu e-mail ou com quem e quando você está se comunicando.



    Os metadados podem fornecer informações extremamente reveladoras sobre você, mesmo quando o conteúdo de sua comunicação permanece secreto.



    Os metadados das suas chamadas telefônicas podem fornecer algumas informações muito íntimas e confidenciais. Por exemplo:

    • Eles sabem que você ligou para um serviço de sexo por telefone às 2h24 e falou durante 18 minutos. Eles só não sabem o foi dito por você.
    • Eles sabem que você telefonou da Ponte Golden Gate para o número de atendimento à prevenção de suicídio, mas o tema da chamada permanece em segredo.
    • Eles sabem que você falou com um serviço de testes de HIV, em seguida falou com o seu médico e depois, na mesma hora, falou com a sua seguradora de saúde; porém, eles não sabem o que foi conversado.
    • Eles sabem que você recebeu uma chamada do escritório local da NRA (em inglês National Rifle Association, que é a Associação Nacional de Rifles) enquanto estava tendo uma campanha contra a legislação de armas e, a seguir, ligou imediatamente para os seus senadores e representantes do Congresso, mas o conteúdo dessas chamadas continua sendo protegido contra a intromissão do governo.
    • Eles sabem que você telefonou para um ginecologista, falou durante meia hora e mais tarde, naquele mesmo dia, ligou para o escritório local da ONG de planejamento familiar Planned Parenthood, mas ninguém sabe sobre o que você conversou.

    Se você estiver ligando de um telefone celular, as informações da sua localização são metadados. Em 2009, o político Malte Spitz, do Partido Verde, processou a Deutsche Telekom para forçá-los a entregar seis meses de dados do telefone de Spitz, os quais ele disponibilizou para um jornal alemão. A visualização resultante mostrou um histórico detalhado dos movimentos dele.

    Proteger seus metadados requer que utilize outras ferramentas, como o Tor, ao mesmo tempo que usa a criptografia ponto a ponto.



    Para se ter um exemplo de como o Tor e o HTTPS trabalham em conjunto para proteger o conteúdo de suas comunicações e de seus metadados de uma variedade de potenciais invasores, leia esta explicação.

    Última revisão: 
    12-01-2017
  • Mantendo seus dados seguros

    Se você tem um smartphone, laptop ou tablet, você carrega com você uma enorme quantidade de dados o tempo todo. Seus contatos pessoais, suas comunicações privadas, documentos e fotos pessoais (muitos dos quais podem conter informações confidenciais de dúzias ou mesmo de milhares de pessoas) são apenas alguns dos exemplos de coisas que você pode armazenar nos seus dispositivos digitais. Como armazenamos e carregamos conosco tantos dados, pode ser difícil mantê-los seguros – especialmente porque eles podem ser retirados de você com relativa facilidade.

    Seus dados podem ser confiscados na fronteira, tomados de você na rua ou roubados da sua casa e copiados em segundos. Infelizmente, proteger seu dispositivo com senhas, PINs ou gestos pode não proteger seus dados caso o dispositivo em si seja levado por outra pessoa. É relativamente simples contornar este tipo de proteção porque seus dados estão armazenados de forma relativamente simples de ser lida dentro do dispositivo. Um adversário precisar apenas ter acesso direto ao armazenamento do dispositivo para conseguir copiar ou inspecionar seus dados sem ter sua senha.

    Isto posto, você pode tornar o acesso aos seus segredos mais difícil para quem eventualmente venha a roubar fisicamente seus dados. Listaremos aqui algumas maneiras por meio das quais você pode ajudar a manter seus dados seguros.

    Criptografe seus dados

    Se você utilizar criptografia, seu adversário precisará tanto do seu dispositivo quanto da sua senha para decodificar os dados criptografados. Portanto, é mais fácil e seguro criptografar todos os seus dados e não apenas algumas pastas. A maioria dos computadores e smartphones oferecem a criptografia de disco completo como uma opção.

    Para smartphones e tablets:

    • Em dispositivos mais recentes, o Android oferece a opção de criptografia de disco inteiro no momento em que você configura seu dispositivo pela primeira vez. Em dispositivos mais antigos, este recurso pode ser ativado a qualquer momento nas configurações de “segurança”.
    • Dispositivos Apple como iPhone e iPad chamam o recurso de “Proteção de Dados” e o ativam se você configurar uma senha.

    Para computadores:

    • A Apple oferece um recurso embutido de criptografia no macOS, cujo nome é FileVault.
    • Distribuições do Linux geralmente oferecem criptografia de disco inteiro quando você configura seu sistema pela primeira vez.
    • O Windows Vista ou sistemas posteriores oferecem uma ferramenta de criptografia de disco inteiro chamada BitLocker.

    O código do BitLocker é fechado e proprietário, o que significa que é difícil para analistas externos avaliarem exatamente o quão seguro ele é. Usar o BitLocker requer que você confie que a Microsoft fornece um sistema de armazenamento seguro e sem vulnerabilidades ocultas. Por outro lado, se você já estiver usando o Windows, você já está confiando na Microsoft na mesma medida. Se você está preocupado com a vigilância feito por adversários que podem saber ou se beneficiar de um backdoor no Windows ou no BitLocker, avalie começar a utilizar um sistema operacional alternativo de fonte aberta, como o GNU/Linux ou BSD, especialmente uma versão que tenha sido criada para ser mais resistente contra ataques, tal como o Tails ou o Qubes OS. Como alternativa, considere instalar um programa de criptografia de disco alternativo, como o  Veracrypt, para criptografar seu disco rígido.

    Mas lembre-se: independente do nome dado pelo seu dispositivo ao recurso de criptografia, ele será sempre tão eficiente quanto a senha que você utilizar. Se um adversário estiver de posse de seu dispositivo, ele terá todo o tempo do mundo para descobrir suas senhas. Uma forma efetiva de criar e armazenar senhas fortes e simples de lembrar é utilizar um dado de números e uma lista de palavras para escolher palavras aleatoriamente. Juntas, estas palavras formarão sua “frase-chave”. Uma “frase-chave” é um tipo de senha mais comprida, com o objetivo de ser mais segura. Para criptografia de disco inteiro, nós recomendamos utilizar, no mínimo, seis palavras. Para mais informações, leia nosso guia Criando senhas fortes.

    Mas, sendo realista, a maioria de nós não irá memorizar e digitar frases-chaves longas nos nossos smartphones ou dispositivos móveis. Desse modo, enquanto a criptografia pode ser útil para evitar o acesso eventual, você deve preservar os dados que são realmente confidenciais, mantendo-os protegidos do acesso físico de aversários ou isolados à distância em um dispositivo muito mais seguro.

    Crie um dispositivo seguro

    Pode ser difícil manter um ambiente seguro. No melhor dos casos, você tem que mudar senhas, hábitos e talvez até mesmo o software que você usa em seu computador ou dispositivo principal. No pior dos casos, você tem que pensar constantemente se está deixando vazar informações confidenciais ou utilizando práticas inseguras. Mesmo quando você conhece os problemas, você pode não conseguir solucioná-los porque às vezes as pessoas como quem você precisa se comunicar fazem uso de práticas de segurança digitais inseguras. Por exemplo, seus colegas de trabalho podem querer que você continue a abrir anexos de e-mail enviados por eles, mesmo que você saiba que seus adversários poderiam fingir ser um deles para enviar malwares.

    Então qual é a solução? Sugerimos que você separe seus dados e comunicações valiosos em um dispositivo mais seguro. Você pode utilizar este dispositivo para manter uma cópia principal de seus dados confidenciais. Utilize este dispositivo apenas ocasionalmente e, quando o fizer, conscientemente tome muito mais cuidado com suas ações. Se você precisar abrir um anexo ou utilizar software inseguro, faça isto em outra máquina.

    Um computador seguro extra pode não ser uma opção tão cara quanto você imagina. Um computador que raramente é utilizado e que apenas executa alguns programas não precisa ser particularmente rápido ou novo. Você pode comprar um netbook antigo por um preço bem inferior ao preço de um laptop de um telefone modernos. Máquinas mais antigas têm também a vantagem de que softwares seguros, como o Tails, terão maior probabilidade de rodar neles do que em modelos mais recentes. Parte destes conselhos genéricos é quase sempre verdadeira. Quando você comprar um dispositivo ou um sistema operacional, mantenha-o sempre em dia com as atualizações de software/firmware mais recentes. Atualizações muitas vezes corrigem, em softwares antigos, problemas de segurança que poderiam ser explorados por ataques. Observe que alguns sistemas operacionais poderão não ser mais suportados, inclusive para atualizações de segurança.

    Quando for configurar um computador seguro, que passos devo seguir para torná-lo mais seguro?

    1. Mantenha seu dispositivo bem escondido e não fale abertamente sobre sua localização – deixe-o em algum lugar onde você poderá saber caso alguém tenha mexido nele, como, por exemplo, em um armário trancado.
    2. Criptografe o disco rígido de seu computador com uma frase-chave forte, de maneira que, caso seja roubado, os dados continuarão a ser ilegíveis sem sua senha.
    3. Instale um sistema operacional focado em privacidade e segurança, como o Tails. Você pode não conseguir (ou querer) utilizar um sistema operacional de fonte aberta no trabalho do seu dia-a-dia, mas se você precisa apenas armazenar, editar, e escrever e-mails ou mensagens instantâneas a partir deste dispositivo seguro, o Tails funcionará bem e tem as configurações de segurança mais rígidas como padrão de instalação.
    4. Mantenha seu dispositivo offline. Não é nenhuma surpresa que a melhor maneira de se proteger de ataques vindos da internet ou de vigilância online é nunca se conectar à internet. Você pode se certificar de que seu dispositivo seguro jamais se conecte a uma rede local ou a uma rede sem fio e apenas copiar arquivos para ele ou dele utilizando mídias físicas, como por exemplo DVDs ou dispositivos USB. Em segurança de redes, isso é conhecido como um “air gap” entre o computador e o resto do mundo. Apesar de extrema, esta pode ser uma opção caso você deseje proteger dados que raramente acessa, mas que não quer perder (como, por exemplo, uma chave de criptografia, uma lista de senhas ou uma cópia de segurança dos dados pessoais de alguém que foi confiada a você). Na maior parte desses casos, você pode querer considerar ter apenas um dispositivo de armazenamento escondido em vez de um computador completo. Um pen drive USB criptografado e escondido em local seguro, por exemplo, é, provavelmente, tão útil (ou tão inútil) quanto um computador completo desconectado da internet.
    5. Não se conecte às suas contas habituais. Se você utiliza seu dispositivo seguro para se conectar à internet, crie contas separadas de e-mail ou para a web para se comunicar a partir deste dispositivo, e use o Tor (veja guias para Linux, macOS e Windows) para manter seu endereço IP oculto destes serviços. Se alguém escolher especificamente você como alvo para envio de malware ou se estiver simplesmente interceptando suas comunicações, contas separadas e o uso do Tor podem ajudar a quebrar a ligação entre sua identidade e esta máquina específica.

    Ao mesmo tempo em que ter um dispositivo seguro que contenha informações importantes e confidenciais pode ajudá-lo a se proteger de adversários, ele também se torna um alvo óbvio. Há ainda o risco de perder a única cópia de seus dados caso a máquina venha a ser destruída. Se seu adversário pode se beneficiar caso você perca todos os seus dados, não os mantenha em apenas um lugar, independentemente de quão seguro seja este local. Criptografe uma cópia e o mantenha em um local separado.

    Uma alternativa a ter uma máquina extra segura é ter uma máquina insegura: um dispositivo que você só utiliza quando estiver indo para lugares perigosos ou quando está tentando fazer uma operação arriscada. Muitos jornalistas e ativistas, por exemplo, levam consigo um netbook básico quando viajam. Este computador não contém nenhum de seus documentos, nem informações de contatos habituais ou de e-mails e, por isso, haverá perda mínima caso ele seja confiscado ou tenha seus dados copiados. Você pode aplicar a mesma estratégia com telefones móveis. Se você costuma utilizar um smartphone, considere comprar um telefone descartável barato e levá-lo quando for viajar ou quando for fazer comunicações específicas.

    Última revisão: 
    02-11-2018
  • Coisas para levar em consideração quando cruzar a fronteira para os Estados Unidos

    Você está planejando cruzar a fronteira para os Estados Unidos em breve? Você sabia que o governo tem o direito de, sem a necessidade de um mandado judicial, revistar os viajantes que estão na fronteira – inclusive quando eles aterrissam em aeroportos internacionais – como parte de seu poder tradicional de controlar o fluxo de objetos que entra no país? (Veja que, ainda que existam algumas das mesmas justificativas jurídicas para realizar buscas naqueles que estão deixando os Estados Unidos e ainda que seja possível que estas buscas aconteçam, não é uma rotina que os viajantes sejam revistados ao sair do país.)

    Para um tratamento mais aprofundado deste tema, veja o guia da EFF Privacidade digital na fronteira dos Estados Unidos: como proteger os dados nos seus dispositivos.

    Aqui estão algumas recomendações para você ter em mente quando cruzar a fronteira dos Estados Unidos:

    Os agentes da fronteira podem exigir seus dados digitais. Leve em conta seus fatores individuais de avaliação de risco: seu status de imigração, seu histórico de viagem, o quão sensíveis são seus dados e outros fatores que podem influenciar suas escolhas.

    Fique atento: precauções pouco usuais podem fazer com que os agentes da fronteira fiquem desconfiados.

    • Faça uma cópia de segurança [back-up] dos seus dispositivos. Isto pode ajudar caso um – ou mais de um – de seus dispositivos seja apreendido. Você pode usar um serviço de back-up online ou um disco rígido externo. Nós não recomendamos que você leve seu laptop e seu HD externo de back-up junto com você ao mesmo tempo.
    • Reduza a quantidade de dados que você leva com você ao cruzar a fronteira. Considere viajar com um laptop “limpo”. Mas perceba que simplesmente arrastar arquivos para o lixo não os deleta completamente. Verifique que você deletou seus arquivos de maneira segura. Também considere deixar seu celular habitual em casa, compre um telefone temporário e transfira seu chip ou então obtenha um novo número quando você chegar no seu destino.
    • Criptografe seus dispositivos. Nós recomendamos usar a criptografia de disco completo nos seus dispositivos (laptops, telefones celulares etc.) e escolher frases-chave seguras.
    • Se um agente da fronteira pedir sua frase-chave, você não é obrigado a obedecer. Apenas um juiz pode te obrigar a revelar informações como essa. No entanto, a recusa em cooperar com as autoridades pode trazer consequências: para os não-cidadãos norte-americanos, sua entrada no país pode ser negada; para os cidadãos americanos, seu dispositivo pode ser apreendido ou você pode ser detido por várias horas.
    • Desligue seus dispositivos antes de chegar na fronteira para bloquear ataques de alta tecnologia.
    • Não conte com cadeados baseados nas impressões digitais ou em outro tipo de biometria; eles são mais fracos do que senhas convencionais.
    • Os agentes podem ter acesso ao conteúdo da sua nuvem – armazenado ou em cache – por meio dos aplicativos e navegadores que você tiver no seu dispositivo. Procure deslogar de aplicativos e navegadores, remover suas credenciais de login salvas ou desinstalar aplicativos sensíveis.
    • Se tiver que lidar com agentes da fronteira, lembre-se destas três coisas: seja gentil, não minta e não interfira fisicamente para bloquear ou atrapalhar a revista feita pelo agente. Agentes de fronteira tem o direito de olhar os aspectos físicos dos seus dispositivos (para verificar se drogas não estão armazenadas no compartimento da bateria de um laptop, por exemplo).

    Não está seguro de que irá se lembrar de todas estas dicas? Veja o Guia de Bolso para Revistas na Fronteira, desenvolvido pela EFF, que foi pensado para ser impresso, dobrado e levado com você enquanto você viaja.

     

    Última revisão: 
    29-10-2018
  • Escolhendo a VPN (rede virtual privada) mais adequada para você

    O que é uma VPN? A VPN é o acrônimo de “Virtual Private Network”, em inglês, que em português significa “rede virtual privada”. Ela permite que os computadores enviem e recebam dados por meio das redes públicas ou compartilhadas, como se estivesse conectada a uma rede privada - beneficiando-se das funcionalidades, da segurança e das políticas administrativas dela.

    Para o que é bom uma VPN?

    Você pode utilizar uma VPN para se conectar à intranet corporativa no seu escritório enquanto estiver em viagem externa, em sua casa ou em qualquer outro horário que esteja fora do seu local de trabalho.



    Você também pode utilizar uma VPN comercial para criptografar seus dados enquanto eles se deslocam por uma rede pública, como o Wi-Fi em um cibercafé ou em um hotel.



    Você pode utilizar uma VPN comercial para driblar a censura na Internet, em uma rede que bloqueia determinados sites ou serviços. Por exemplo, alguns usuários chineses utilizam VPNs comerciais para acessar sites bloqueados pelo sistema de controle chinês, chamado de a “Grande Muralha de Fogo da China"" (do inglês “Great Firewall of China”).

    Você pode se conectar também à sua rede doméstica, executando seu próprio serviço de VPN, utilizando um software de código aberto, como o OpenVPN.

    O que não faz uma VPN?

    Uma VPN protege o seu tráfego de Internet da vigilância nas redes públicas, mas não protege seus dados das pessoas na rede privada, a qual você está utilizando. Caso esteja usando uma VPN corporativa, então quem quer que esteja ocupando a rede corporativa verá o seu tráfego. Se estiver utilizando uma VPN comercial, quem quer que esteja usando o serviço poderá ver o seu tráfego.

    Um serviço de VPN de má reputação pode fazer isso deliberadamente, para recolher informações pessoais ou outros dados valiosos.



    O administrador da rede VPN corporativa ou comercial pode estar sujeito também às pressões de governos ou aos agentes de aplicação da lei para fornecer informações sobre os dados que você enviou por meio da rede. Você deve rever as políticas de privacidade do seu provedor de VPN sobre as circunstâncias que ele pode fornecer seus dados aos governos ou agentes de aplicação da lei.



    Você deve tomar nota também dos países que o seu provedor de VPN faz negócios. Ele estará sujeito às leis dessas nações, as quais podem incluir tanto as solicitações do governo às suas informações como as de outros países com os quais esse provedor mantém um tratado de assistência jurídica. Em alguns casos, as leis permitirão solicitações, sem avisá-lo ou dar oportunidade para que conteste tal pedido.



    A maioria das VPNs requer que você pague utilizando um cartão de crédito, o qual contém informações sobre sua pessoa, as quais talvez não queira divulgar para o seu provedor da VPN. Se quiser manter registrado o número do seu cartão de crédito no seu provedor de VPN comercial, utilize um provedor que aceite Bitcoins ou use números de cartões de crédito provisórios ou descartáveis. Também observe que quando utiliza o serviço do provedor de VPN, ele ainda pode coletar o seu endereço de IP, o qual pode ser utilizado para identificá-lo, mesmo se você usar um método de pagamento alternativo. Caso queira manter seu endereço IP oculto de seu provedor de VPN, utilize o Tor ao conectar-se à sua VPN.

    Clique aqui para obter as informações sobre serviços específicos de VPN.

    Nós da EFF não podemos confirmar essa pontuação dos VPNs. Algumas VPNs com políticas de privacidade exemplares poderiam perfeitamenteser mantidas por pessoas desonestas. Não utilize uma VPN na qual você não confie.

    Última revisão: 
    17-10-2014
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