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Estudante de jornalismo?

  • Estudante de jornalismo?

    Lições sobre segurança que podem não ter sido ensinadas no seu curso de jornalismo

    Os cursos de jornalismo ensinam muitas coisas, mas nem sempre incluem como se proteger de vigilância. Clique abaixo para aprender a avaliar os riscos que se apresentam e como se proteger deles. Esta lista lhe ensinará como entender as diversas ameaças, se comunicar com os outros de forma segura, proteger a si próprio e seus dados on-line, e contornar a censura na Internet.

  • Avaliando Seus Riscos

    Tentar proteger todos os seus dados de todas as pessoas e todo o tempo é impraticável e extremamente cansativo. Mas não se preocupe! Segurança é um processo, e através de planejamento cuidadoso você pode avaliar o que é o ideal para você. Segurança não se trata das ferramentas que você utiliza ou dos programas que baixa, ela começa com a compreensão de quais são as ameaças específicas que você enfrenta e como você pode combatê-las.

    Em segurança da informação, uma ameaça é um evento potencial que pode tornar menos efetivos os esforços que você faz para defender seus dados. Você pode combater as ameaças que enfrenta ao entender que coisas precisa proteger, bem como de quem precisa protegê-las. Este processo é chamado de modelagem de ameaças.

    Este guia o ensinará como modelar ameaças, ou como avaliar os riscos aos quais suas informações digitais estão expostos e determinar quais as melhores soluções para você.

    Como é o processo de modelagem de ameaças? Vamos dizer que você deseja manter sua casa e seus bens seguros... Aqui estão algumas perguntas que você pode querer se fazer:

    O que eu tenho dentro da minha casa merece ser protegido?

    • Ativos podem incluir jóias, eletrônicos, documentos financeiros, passaportes ou fotos.

    De quem eu quero proteger estes ativos?

    • Adversários podem incluir: ladrões, colegas de quarto e visitas.

    O quão provável é que eu precise proteger estes ativos?

    • Minha vizinhança tem um histórico de roubos? O quão confiável são meus colegas de quarto/visitas? Quais são os recursos de meus adversários? Que riscos eu devo considerar?

    O quão graves serão as consequências caso eu falhe?

    • Eu tenho alguma coisa na minha casa que eu não tenha como repor? Eu tenho tempo ou dinheiro para repor ativos? Eu tenho um seguro que cubra ativos roubados da minha casa?

    Até onde eu estou disposto a ir para me prevenir destas consequências?

    • Eu estou disposto a comprar um cofre para documentos importantes? Eu tenho recursos para comprar uma fechadura de alta qualidade? Tenho tempo para alugar um cofre no meu banco e manter meus objetos de valor neste cofre?

    Uma vez que você tenha se feito estas perguntas, você estará em condições de avaliar que medidas deve tomar. Se suas posses são valiosas mas o risco de um roubo à sua casa é baixo, então talvez você decida não investir muito dinheiro em uma fechadura. Por outro lado, se o risco for alto você desejará comprar a melhor fechadura do mercado e ainda instalar um sistema de segurança.

    Construir um modelo de ameaça o ajudará a entender as ameaças específicas que você corre e a avaliar seus ativos, seus adversários e os recursos que estes adversários possuem, bem como a probabilidade de que tais riscos se tornem realidade.

    O que é modelagem de ameaças e por onde eu começo?

    A modelagem de ameaças o ajuda a identificar ameaças às coisas que você dá valor e determinar de quem precisa protegê-las. Quando estiver construindo um modelo de ameaça, responda a estas cinco perguntas:

    1. Que coisas eu quero proteger?
    2. De quem eu quero protegê-las?
    3. O quão graves serão as consequências caso eu falhe?
    4. O quão provável é que eu precise protegê-las?
    5. Até onde eu estou disposto a ir para tentar evitar potenciais consequências?

    Vamos avaliar uma a uma estas perguntas.

    Que coisas eu quero proteger?

    Um “ativo” é algo ao qual você dá valor e que deseja proteger. No contexto de segurança digital, um ativo é normalmente algum tipo de informação. Por exemplo: seus e-mails, lista de contatos, mensagens instantâneas e arquivos são todos possíveis ativos. Seus dispositivos também podem ser ativos.

    Faça uma lista de seus ativos: dados que você mantém, onde eles são mantidos, quem tem acesso a eles, e o que impede que outros os acessem.

    De quem eu quero protegê-las?

    Para responder a esta pergunta, é importante identificar quem pode ter você ou suas informações como alvo. Uma pessoa ou entidade que represente uma ameaça aos seus ativos é um “adversário”. Exemplos de potenciais adversários são seu chefe, seu ex-cônjuge ou ex-namorado(a), seu concorrente, seu governo, ou um hacker numa rede pública.

    Faça uma lista de seus adversários, ou daqueles que possam ter interesse em ter acesso aos seus dados. Sua lista pode incluir pessoas, agências governamentais ou empresas.

    Dependendo de quem sejam seus adversários, em alguns casos esta lista pode se tornar algo que você queira destruir após terminar sua modelagem de ameaça.

    O quão graves serão as consequências caso eu falhe?

    Existem diversas formas pelas quais um adversário pode ameaçar seus dados. Por exemplo, um adversário pode ler suas comunicações pessoais enquanto tem acesso à rede, ou pode apagar ou corromper seus dados.

    Os objetivos dos adversários diferem enormemente, assim como seus ataques. Um governo tentando evitar a disseminação de um vídeo que mostra violência policial pode se satisfazer simplesmente apagando ou reduzindo a disponibilidade deste vídeo. Por outro lado, um adversário político pode querer ter acesso a conteúdos secretos e publicar este conteúdo sem que você saiba.

    A modelagem de ameaças envolve compreender o quão graves as consequências podem ser caso um adversário ataque com sucesso um de seus ativos. Para chegar a esta conclusão, você deve levar em conta os recursos dos quais seu adversário dispõe. Por exemplo, sua operadora de telefonia móvel tem acesso a todas as suas ligações e, consequentemente, a capacidade de usar estes dados contra você; um hacker numa rede Wi-Fi aberta pode acessar suas comunicações não criptografadas; já seu governo pode ter recursos ainda mais abrangentes.

    Coloque num papel o que o seu adversário pode querer fazer com seus dados privados.

    O quão provável é que eu precise protegê-las?

    Risco é a probabilidade de que uma ameaça específica contra um ativo específico efetivamente venha a se concretizar. Ele é sempre proporcional à capacidade. Apesar de sua operadora de telefonia celular ter a capacidade de acessar todos os seus dados, o risco de que ela poste seus dados online para prejudicar sua reputação é baixo.

    É importante distinguir entre ameaças e riscos. Enquanto uma ameaça é algo ruim que pode ocorrer, risco é a probabilidade de que esta ameaça seja levada a termo. Por exemplo, sempre há a ameaça de que seu prédio possa desmoronar, mas o risco de isso acontecer é bem maior em São Francisco (onde terremotos são comuns) do que em Estocolmo (onde eles não são).

    Efetuar uma análise de risco é ao mesmo tempo um processo pessoal e subjetivo: nem todas as pessoas têm as mesmas prioridades ou enxergam ameaças da mesma forma. Muitas pessoas acham certas ameaças inaceitáveis, independente do risco delas ocorrerem, porque a mera presença da ameaça, por menor que seja o risco, não compensa. Em outros casos, pessoas desprezam riscos altos porque não veem a ameaça como um problema.

    Coloque num papel quais ameaças você deseja levar a sério, e quais são tão raras ou tão sem consequências (ou difíceis de combater) que não vale à pena se preocupar.

    Até onde eu estou disposto a ir para tentar evitar potenciais consequências?

    Responder a esta pergunta requer a condução da análise de riscos. Nem todas as pessoas têm as mesmas prioridades ou enxergar as ameaças da mesma maneira.

    Por exemplo, um advogado que representa um cliente em um caso de segurança nacional estará provavelmente disposto a utilizar mais recursos para proteger as comunicações sobre o caso, como por exemplo utilizar e-mails criptografados, do que uma mãe que regularmente envia à sua filha e-mails com vídeos engraçados de gatos.

    Coloque num papel as opções disponíveis para ajudá-lo a atenuar as ameaças que você enfrenta pessoalmente. Leve em conta suas restrições de orçamento, técnicas, ou sociais.

    Modelagem de ameaças como uma prática regular

    Tenha em mente que seu modelo de ameaça pode mudar de acordo com a mudança da sua situação pessoal. Desta maneira, conduzir modelagens de ameaça frequentes é uma boa prática.

    Crie seu próprio modelo de ameaça baseado em sua situação única. Feito isso, marque em sua agenda uma data no futuro para rever este modelo de ameaça e verificar se ele ainda se enquadra na sua situação.

    Última revisão: 
    07-09-2017
  • Comunicando-se com outros

    As redes de telecomunicação e a internet tornaram a comunicação entre as pessoas mais fácil do que nunca, mas também permitiram que a vigilância se tornasse mais predominante do que jamais se viu na história da humanidade. Cada telefonema, mensagem de texto, e-mail, mensagem instantânea, ligação de voz sobre IP (VoIP), vídeo chat e mensagem de redes sociais podem ser vulneráveis a intrusos, caso não se tome medidas adicionais para proteger sua privacidade.



    Na maioria das vezes, a maneira mais segura de se comunicar com outras pessoas é pessoalmente, sem a presença de computadores ou telefones. Uma vez que isso nem sempre é possível, o melhor a ser feito é utilizar a criptografia ponto a ponto, caso precise proteger o conteúdo de suas comunicações quando se comunicar por meio de uma rede.

    Como funciona a criptografia ponto a ponto?

    Quando duas pessoas querem se comunicar de modo seguro (por exemplo, a Akiko e o Boris), elas precisam gerar individualmente chaves de criptografia. Antes da Akiko enviar uma mensagem para o Boris, ela criptografa a chave dele para que somente o Boris possa decifrá-la. Então ela envia a mensagem já criptografada pela internet. Se alguém estiver espionando a Akiko e o Boris, mesmo que tenha acesso ao serviço que ela está utilizando para enviar essa mensagem (como a sua conta de e-mail), esta pessoa apenas verá os dados criptografados, mas não conseguirá ler a mensagem. Quando o Boris recebê-la, deve utilizar sua chave para descriptografá-la, tornando-a legível.



    A criptografia ponto a ponto requer algum sacrifício, mas é a única maneira dos usuários verificarem a segurança das suas comunicações, sem ter de confiar na plataforma que estão utilizando. Alguns serviços, como o Skype, afirmam que oferecem a criptografia ponto a ponto, mas, ao que parece, não a fazem. Para que a criptografia ponto a ponto seja segura, os usuários devem verificar se a chave que está criptografando as mensagens pertence à pessoa que eles acreditam que a criaram. Se o software de comunicação não tem essa capacidade integrada, então qualquer mensagem criptografada poderia, por exemplo, ser interceptada pelo próprio provedor de serviços, caso algum governo o obrigue a isso.

    Você pode ler o informativo Encryption Works (Funcionamento da Criptografia), da Freedom of the Press Foundation (Fundação para a Liberdade de Imprensa), para obter instruções detalhadas sobre como utilizar a criptografia ponto a ponto para proteger suas mensagens instantâneas e e-mails. Confira também os seguintes módulos da SSD:

    Chamadas de voz

    Quando você faz uma ligação por telefone fixo ou celular, sua chamada não é criptografada ponto a ponto. Se estiver utilizando um aparelho móvel, a ligação pode ser (tenuemente) criptografada entre o seu celular e as torres de telefonia. No entanto, como sua conversa viaja pela rede de transmissão, ela é vulnerável à interceptação pela sua companhia telefônica e extensivamente por todos os governos ou organizações que têm poder sobre a sua empresa de telefonia. A maneira mais fácil de garantir que você tenha a criptografia ponto a ponto nas conversas de voz é utilizar o VoIP.

    Cuidado! A maioria dos provedores de VoIP, como o Skype e o Google Hangouts, oferecem criptografia em trânsito, de modo que os espiões não podem ouvi-las, porém seus próprios provedores ainda têm potencial de escutá-las. Isso pode ou não ser um problema, dependendo do seu modelo de ameaça.

    Dentre alguns serviços que oferecem a criptografia ponto a ponto nas chamadas por VoIP, incluem-se:

    Para ter conversas de VoIP criptografadas ponto a ponto, ambos devem utilizar o mesmo software (ou compatível).

    Mensagens de texto

    As mensagens de texto padrões (SMS) não dispõem de criptografia ponto a ponto. Se você quer enviar mensagens criptografadas pelo seu telefone, considere utilizar um software de mensagens instantâneas criptografadas em vez de mensagens de texto SMS.

    Alguns serviços de mensagens instantâneas criptografadas ponto a ponto utilizam seu próprio protocolo. Então, por exemplo, os usuários do Signal, no Android e no iOS, podem conversar de modo seguro com outras pessoas que utilizam esses programas. O ChatSecure é um aplicativo móvel que criptografa conversas com o OTR em qualquer rede que usa o XMPP, significando que você pode escolher dentre os serviços, independentes de mensagens instantâneas.

    Mensagens instantâneas

    O Off-the-Record (OTR) (Fora da Banda) é um protocolo de criptografia ponto a ponto para mensagens de texto em tempo real, o qual pode ser utilizado no topo de uma série de serviços.

    Dentre algumas ferramentas que incorporam o OTR nas mensagens instantâneas, incluem-se:

    Email

    A maioria dos provedores de e-mail proporciona uma maneira de você acessá-los utilizando um navegador da Web, como o Firefox ou o Chrome. A maioria desses provedores suporta o protocolo HTTPS ou a criptografia de camada de transporte (do inglês transport-layer encryption). Você pode verificar se o seu provedor de e-mail suporta o protocolo HTTPS, acessando o seu webmail e conferindo se a URL no topo do seu navegador começa com as letras HTTPS em vez de HTTP (por exemplo: https://mail.google.com).

    Caso o seu provedor de e-mail suporte o HTTPS, mas não o faz por padrão, tente substituir o HTTP pelo HTTPS na URL e atualizar a página. Caso queira ter a certeza de sempre estar utilizando o protocolo HTTPS nos sites onde estiver disponível, faça o download do complemento do navegador HTTPS Everywhere, no Firefox ou no Chrome.

    Dentre alguns provedores de webmail que utilizam o protocolo HTTPS por padrão, incluem-se:

    • Gmail
    • Riseup
    • Yahoo

    Alguns provedores de webmail dão a opção de escolher utilizar o HTTPS por padrão, selecionando-o em suas configurações. O serviço mais popular, que ainda faz isso, é o Hotmail.



    O que faz a criptografia de camada de transporte (do inglês transport-layer encryption) e por que você precisa dela? O HTTPS, também referido como SSL ou TLS, criptografa suas comunicações de modo que elas não possam ser lidas por outras pessoas na sua rede. Isso pode incluir as que estão utilizando a mesma rede Wi-Fi em um aeroporto ou em uma cafeteria, no seu escritório ou na escola, os administradores de seu ISP, hackers maliciosos, agentes da lei ou do governo. As comunicações enviadas pelo seu navegador da Web, incluindo as páginas que você visita e o conteúdo de seus e-mails, postagens e mensagens, utilizando o protocolo HTTP em vez do HTTPS são de pouca importância para um oponente interceptá-las e lê-las.

    O HTTPS é o nível mais básico de criptografia para sua navegação na Web e é recomendado a todos. Ele é tão básico quanto colocar o cinto de segurança ao dirigir.



    Mas há algumas coisas que o HTTPS não faz. Quando você envia um e-mail utilizando o HTTPS, o seu provedor de e-mail ainda recebe uma cópia não criptografada da sua comunicação. Os governos e os agentes de aplicação da lei podem obter um mandato para acessar esses dados. Nos Estados Unidos, a maioria dos provedores de e-mail têm uma política que informa quando essas empresas receberem uma solicitação do governo, para que cedam os dados do usuário, desde que estejam legalmente autorizados a fazê-lo. Essas políticas, porém, são estritamente voluntárias e, em muitos casos, os provedores estão legalmente impedidos de informar essas solicitações de dados aos seus usuários. Alguns provedores de e-mail, como o Google, Yahoo e Microsoft, publicam relatórios de transparência, detalhando o número de solicitações que recebem do governo sobre os dados dos usuários, quais países fazem esses pedidos e quantas vezes a empresa cedeu essas informações.



    Se o seu modelo de ameaça inclui um governo ou agentes de aplicação da lei, ou se você tem alguma outra razão para assegurar que seu provedor de e-mail não possa ceder o conteúdo de suas comunicações por e-mail a um terceiro, considere utilizar a criptografia ponto a ponto nas suas comunicações por e-mail.

    A PGP (do inglês Pretty Good Privacy, que significa uma Privacidade Muito Boa) é um padrão para a criptografia ponto a ponto do seu e-mail. Utilizada corretamente, ela oferece proteções muito fortes às suas comunicações. Para instruções detalhadas de como instalar e utilizar a criptografia PGP para o seu e-mail, consulte os guias de:

    O que a criptografia ponto a ponto não faz?

    A criptografia ponto a ponto protege apenas o conteúdo das suas comunicações e não o fato da comunicação em si. Ela não protege os seus metadados - que é todo o restante, incluindo a linha de assunto do seu e-mail ou com quem e quando você está se comunicando.



    Os metadados podem fornecer informações extremamente reveladoras sobre você, mesmo quando o conteúdo de sua comunicação permanece secreto.



    Os metadados das suas chamadas telefônicas podem fornecer algumas informações muito íntimas e confidenciais. Por exemplo:

    • Eles sabem que você ligou para um serviço de sexo por telefone às 2h24 e falou durante 18 minutos. Eles só não sabem o foi dito por você.
    • Eles sabem que você telefonou da Ponte Golden Gate para o número de atendimento à prevenção de suicídio, mas o tema da chamada permanece em segredo.
    • Eles sabem que você falou com um serviço de testes de HIV, em seguida falou com o seu médico e depois, na mesma hora, falou com a sua seguradora de saúde; porém, eles não sabem o que foi conversado.
    • Eles sabem que você recebeu uma chamada do escritório local da NRA (em inglês National Rifle Association, que é a Associação Nacional de Rifles) enquanto estava tendo uma campanha contra a legislação de armas e, a seguir, ligou imediatamente para os seus senadores e representantes do Congresso, mas o conteúdo dessas chamadas continua sendo protegido contra a intromissão do governo.
    • Eles sabem que você telefonou para um ginecologista, falou durante meia hora e mais tarde, naquele mesmo dia, ligou para o escritório local da ONG de planejamento familiar Planned Parenthood, mas ninguém sabe sobre o que você conversou.

    Se você estiver ligando de um telefone celular, as informações da sua localização são metadados. Em 2009, o político Malte Spitz, do Partido Verde, processou a Deutsche Telekom para forçá-los a entregar seis meses de dados do telefone de Spitz, os quais ele disponibilizou para um jornal alemão. A visualização resultante mostrou um histórico detalhado dos movimentos dele.

    Proteger seus metadados requer que utilize outras ferramentas, como o Tor, ao mesmo tempo que usa a criptografia ponto a ponto.



    Para se ter um exemplo de como o Tor e o HTTPS trabalham em conjunto para proteger o conteúdo de suas comunicações e de seus metadados de uma variedade de potenciais invasores, leia esta explicação.

    Última revisão: 
    12-01-2017
  • Criando senhas fortes

    Reutilizar senhas é uma prática excepcionalmente ruim do ponto de vista da segurança. Se um invasor tiver acesso a uma senha que você tenha reutilizado em diversos serviços diferentes, ele poderá ter acesso a muitas de suas contas. É por isso que é tão importante ter senhas fortes, únicas e distintas.

    Felizmente, um gerenciador de senhas pode ajudar. Gerenciadores de senhas são ferramentas que criam e armazenam senhas para você, de maneira que você possa utilizar senhas diferentes para cada site ou serviço sem precisar memorizá-las. Gerenciadores de senhas:

    • geram senhas fortes que um ser humano dificilmente poderá adivinhar.
    • armazenam diversas senhas de maneira segura (e também as respostas para perguntas de segurança).
    • protegem todas as suas senhas com uma única senha-mestre (ou frase-chave).

    O KeePassXC é um exemplo de gerenciador de senhas com fonte aberta e gratuito. Você pode manter esta ferramenta em seu desktop ou integrá-lo ao seu navegador de internet. O KeePassXC não salva automaticamente as alterações que você faz quando o utiliza, portanto se ele apresentar um erro e fechar inesperadamente você perderá para sempre as senhas que tiver adicionado desde que o abriu. Isto pode ser alterado nas configurações do programa.

    Você está se perguntando se um gerenciador de senha é a ferramenta certa para você? Se você for alvo de um adversário poderoso, como um governo, pode ser que não seja.

    Lembre-se:

    • utilizar um gerenciador de senhas cria um ponto de falha centralizado.
    • gerenciadores de senhas são um alvo óbvio para adversários.
    • pesquisas sugerem que diversos gerenciadores de senha têm vulnerabilidades.

    Se você está preocupado com ataques digitais poderosos, considere algo menos tecnológico. Você pode criar senhas fortes manualmente (veja “Criando senhas fortes usando dados de números” abaixo), anotá-las em um papel e guardá-las em algum lugar seguro consigo próprio.

    Mas espere: não devemos sempre guardar as senhas de cor e jamais anotá-las? Na verdade, escrevê-las e guardá-las na sua carteira, por exemplo, pode ser útil para que ao menos você saiba se elas desaparecerem ou forem roubadas.

    Criando senhas fortes usando dados numéricos

    Há algumas senhas que você deve memorizar e que precisam ser particularmente fortes. Por exemplo:

    Uma das muitas dificuldades que ocorrem quando as pessoas escolhem senhas por si mesmas é que seres humanos não são muitos bons em fazer escolhas aleatórias e imprevisíveis. Uma forma eficiente de criar uma senha forte e que possa ser memorizada é utilizar dados numéricos e uma lista de palavras para escolher palavras de maneira aleatória. Juntas, estas palavras formarão sua “frase-chave”. Uma “frase-chave” é um tipo de senha mais comprida, com o objetivo de ser mais segura. Para criptografia de discos inteiros e para seu gerenciador de senhas, recomendamos escolher um mínimo de seis palavras.

    Por que utilizar um mínimo de seis palavras? Por que usar um dado numérico para escolher palavras aleatoriamente numa frase? Quanto mais comprida e mais aleatória for a senha, mais difícil será para computadores e humanos adivinhá-las. Para entender porque você precisa de uma senha tão comprida e forte assim, aqui está uma explicação em vídeo (em inglês).

    Tente criar uma frase-senha utilizando uma das listas de palavras da EFF.

    Se o seu computador ou dispositivo for comprometido e tiver spyware instalado, o spyware pode monitorar a digitação de sua senha-mestre e roubar o conteúdo do seu gerenciador de senhas. Desta maneira, continua sendo muito importante manter seu computador e outros dispositivos livres de malware quando estiver usando um gerenciador de senhas.

    Um pouco sobre “perguntas de segurança”

    Cuidado com as “perguntas de segurança” que sites utilizam para confirmar sua identidade. Respostas honestas a estas perguntas muitas vezes são fatos públicos fáces de descobrir e que um determinado adversário pode encontrar facilmente e utilizá-las para acessar sua conta sem nem mesmo saber sua senha.

    Ao invés disso, dê a estas perguntas respostas fictícias e que ninguém mais saberá, exceto você. Por exemplo, se a pergunta for:

    “Qual era o nome de seu primeiro animal de estimação?”

    Sua resposta pode ser uma senha aleatória gerada pelo seu gerenciador de senhas. Você pode armazenar estas respostas fictícias no próprio gerenciador de senhas.

    Tente lembrar dos sites em que você utilizou perguntas de segurança e considere alterar as respostas. Nunca utilize as mesmas senhas ou respostas às perguntas de segurança para diversas contas em sites ou serviços diferentes.

    Sincronizando suas senhas em diversos dispositivos

    Diversos gerenciadores de senhas permitem que você acesse suas senhas em múltiplos dispositivos através de um recurso de sincronização de senhas. Isso significa que quando você sincronizar seu arquivo de senhas em um dispositivo, ela será atualizada em todos os outros.

    Gerenciadores de senhas podem armazenar suas senhas “na nuvem”, ou seja, criptografadas em um servidor remoto. Quando você precisar das suas senhas, estes gerenciadores vão recuperá-las e decriptá-las automaticamente para você. Gerenciadores de senhas que utilizam seus próprios servidores para armazenar ou sincronizar suas senhas são mais convenientes, mas ligeiramente mais vulneráveis a ataques. Se suas senhas forem armazenadas tanto em seu computador quando na nuvem, um atacante não precisará ter acesso ao seu computador para descobrir suas senhas (embora ainda assim tenha que descobrir a frase-chave do seu gerenciador de senhas).

    Se isso o preocupa, não sincronize suas senhas para a nuvem e, em vez disso, opte por armazená-las apenas em seus dispositivos.

    Por segurança, mantenha um backup de seu banco de dados de senhas. Ter um backup é útil caso você perca seu banco de dados devido a problemas em seu computador, ou caso seu dispositivo seja tomado de você. Gerenciadores de senhas normalmente possuem uma maneira de criar um arquivo de backup ou você pode utilizar seu programa padrão de backup.

    Autenticação de múltiplos fatores e senhas de uso único

    Senhas fortes e únicas tornam muito mais difícil para que atacantes tenham acesso às suas contas. Para protegê-las ainda mais, utilize autenticação de dois fatores.

    Alguns serviços oferecem autenticação de dois fatores (também chamada de 2FA, autenticação de múltiplos fatores, ou verificação em dois passos), que requer que você possua dois componentes distintos (uma senha e um segundo fator) para ter acesso a sua conta. O segundo fator pode ser um código secreto de uso único ou um número gerado por um programa executado em um dispositivo móvel.

    A autenticação de dois fatores em um telefone celular pode ser feita de duas formas:

    • seu telefone pode rodar um aplicativo que gera códigos de segurança (como o Google Authenticator ou o Authy) ou você pode utilizar um dispositivo de hardware em separado (como uma YubiKey); ou
    • o serviço pode enviar a você uma mensagem de texto SMS contendo um código extra de segurança que você precisará digitar sempre que desejar acessá-lo.

    Se você puder escolher, prefira a aplicação de autenticação no celular (ou o dispositivo de hardware à parte) em vez de receber códigos por mensagens de texto. É mais fácil para um atacante redirecionar estes códigos para seu próprio telefone do que conseguir burlar o autenticador.

    Alguns serviços, como o Google, também permitem que você gere uma lista de senhas de uso único. Estas senhas podem ser impressas ou anotadas em papel e levadas com você. Cada uma delas funciona apenas uma vez, portanto se uma for roubada por um spyware quando você a digitar, o ladrão não poderá utilizá-la para nada no futuro.

    Se você ou sua organização mantém sua própria infraestrutura de comunicações, existem softwares gratuitos que podem ser utilizados para implementar a autenticação de dois fatores para acessar seus sistemas. Procure por softwares que ofereçam implementações do padrão aberto “Time-Based One-Time Passwords” ou RFC 6238.

    Às vezes, você precisará informar sua senha a terceiros

    As leis que tratam sobre revelar senhas diferem de um lugar para outro. Em algumas jurisdições você pode questionar uma ordem para revelar sua senha na justiça, enquanto em outras, as leis locais permitem que o governo obrigue a revelá-la – e o governo pode até mesmo prendê-lo pela suspeita de que você saiba uma determinada senha. Ameaças de violência física também podem ser usadas para forçar alguém a revelar sua senha. Você pode ainda se ver em uma situação, como por exemplo quando estiver atravessando uma fronteira entre nações, na qual autoridades podem retê-lo ou confiscar seus dispositivos caso você se recuse a fornecer uma senha ou desbloquear seu dispositivo.

    Nós temos um guia em separado sobre atravessar a fronteira dos Estados Unidos, dando conselhos sobre como lidar com solicitações para acessar dispositivos quando estiver viajando para ou a partir dos EUA. Em outras situações, você deve considerar de que forma alguém poderá forçar você ou outros a fornecer suas senhas, e quais serão as consequências disso.

    Última revisão: 
    15-10-2017
  • Tutorial: como deletar dados de maneira segura no macOS

    Nota: versões modernas do macOS vão te induzir a utilizar o FileVault 2 para criptografar seu disco inteiro. É altamente recomendável que você faça isto para proteger seus dados. Se você criptografar seu disco por inteiro, você não tem que se preocupar muito em deletar os arquivos de maneira segura, já que a chave-mestra de criptografia está protegida com uma senha controlada por você e que pode ser alterada ou apagada por você para fazer com que os dados do seu disco se tornem irrecuperáveis. Há mais informação disponível sobre criptografar com o File Vault 2.

    As instruções abaixo deverão ser utilizadas apenas para deletar dados de maneira segura de discos rígidos. Estas instruções se aplicam apenas a unidades de disco tradicionais e não a Solid State Drives (SSDs), que são o padrão em computadores modernos, dispositivos USB/pen drives ou cartões de memória/cartões de memória flash. É muito difícil deletar dados com segurança de SSDs, dispositivos USB e cartões de memória! Isso se deve ao fato de que estes tipos de dispositivos utilizam uma técnica chamada wear leveling [“nivelamento do desgaste”] e não fornecem acesso de baixo nível aos bits da mesma maneira com que foram armazenados. (Você pode ler mais sobre as razões por que isto causa problemas para deletar dados de maneira segura aqui.) Se você estiver usando um SSD ou um pen drive USB, pule diretamente para esta seção abaixo.

    Você sabia que quando você move um arquivo do seu computador para a pasta do lixo e esvazia em seguida, o arquivo não é completamente apagado? Como regra, computadores não “deletam” arquivos; quando você coloca um arquivo no lixo, seu computador só torna o arquivo invisível e permite que o espaço que ele ocupava seja sobrescrito por alguma outra coisa no futuro. Até que isto aconteça, aquele arquivo “deletado” ainda está no seu disco; ele apenas está invisível para operações normais. E, com um pouco de trabalho e com as ferramentas certas (tal como um software para “desdeletar” ou métodos forenses), aquele arquivo “deletado” pode ser recuperado.

    Então qual é a melhor maneira de deletar um arquivo para sempre? Garanta que ele seja sobrescrito imediatamente. Isto dificulta a recuperação do que estava escrito lá antes. Provavelmente seu sistema operacional já tem um software que pode fazer isto por você – um software que pode sobrescrever todo o espaço “vazio” no seu disco com rabiscos e, assim, proteger a confidencialidade dos dados deletados.

    Deletar arquivos de maneira segura no macOS

    No OS X 10.4 até o 10.10, você consegue deletar arquivos de maneira segura ao movê-los para o livro e, em seguida, selecionar Finder> “Secure Empty Trash” [“Esvaziar o lixo em segurança”].

    A função “Secure Empty Trash” foi removida no OS X 10.11 porque a Apple entendeu que não podia garantir que arquivos fossem deletados de maneira segura nos discos SSD que a maioria dos modelos modernos usam hoje.

    Se você usa um hard drive tradicional com o OS X 10.11 e tem experiência com a linha de comando, você pode usar o comando srm do Mac para sobrescrever o arquivo. Instruções mais detalhadas (em inglês) estão disponíveis aqui.

    O srm foi removido da versão OS X 10.12, mas ainda é possível instalá-lo.

    Nas versões mais recentes do macOS, você pode usar rm -P para sobrescrever o arquivo. Este commando sobrescreve o conteúdo do arquivo diversas vezes.

    Um aviso sobre as limitações das ferramentas de eliminação segura de arquivos

    Lembre-se que a recomendação dada aqui apenas elimina os arquivos que estão no disco do computador que você está utilizando. Nenhuma das ferramentas mencionadas antes irá deletar backups [cópias de segurança] feitos para outro lugar no seu computador, em outro disco ou dispositivo USB, na “Time Machine”, num servidor de e-mail, na nuvem ou enviado a seus contatos. Para deletar um arquivo com toda segurança, você precisa deletar todas as cópias deste arquivo, em todos os lugares em que ele foi armazenado ou para os quais ele foi enviado. Além disso, uma vez que um arquivo foi armazenado na nuvem (via Dropbox, por exemplo, ou por meio de qualquer outro serviço de compartilhamento de arquivos), geralmente não há como garantir que ele será deletado definitivamente.

    Infelizmente, existe ainda uma outra limitação das ferramentas de eliminação segura de arquivos. Mesmo que você siga a recomendação acima e que você tenha deletado todas as cópias de um arquivo, ainda há alguma chance de que certos vestígios de arquivos deletados persistam no seu computador – não porque os próprios arquivos não tenham sido deletados de maneira adequada, mas porque uma parte do sistema operacional ou algum outro programa mantem um registro deliberado destes dados.

    São muitas as maneiras em que isto pode acontecer, mas dois exemplos devem ser suficientes para mostrar esta possibilidade. No Windows ou no macOS, o Microsoft Office pode reter uma referência ao nome de um arquivo no menu “Documentos recentes”, mesmo que o arquivo tenha sido deletado (às vezes o Office pode até mesmo manter arquivos temporários que contêm o conteúdo do arquivo). No Linux ou em outro sistema *nix, o LibreOffice pode manter tantos registros quanto o Microsoft Office e o arquivo da shell history do usuário pode conter comandos que incluem o nome do arquivo, mesmo que o próprio arquivo tenha sido deletado de maneira segura. Na prática, pode haver dúzias de programas que se comportam desta maneira.

    É difícil saber como responder a este problema. É seguro pressupor que, mesmo que um arquivo tenha sido deletado de maneira segura, provavelmente o nome dele vai continuar a existir por algum tempo no seu computador. Sobrescrever o disco inteiro é a única forma de ter 100% de certeza de que o nome será apagado. Alguns de vocês podem estar pensando: “Será que eu poderia procurar nos dados brutos [raw data] do disco para ver se ainda existem cópias destes dados em algum lugar?” A reposta é: sim e não. Fazer esta busca no disco irá te contar se os dados estão presentes em textos simples, mas não irá te dizer se algum programa tem referências comprimidas ou codificadas de alguma forma a estes dados. Além disso, tome cuidado para que a busca em si mesma não deixe um registro! A probabilidade de que o conteúdo do arquivo possa persistir é mais baixa, mas não é impossível. Sobrescrever o disco por inteiro e instalar um sistema operacional novo é a única maneira de ter 100% de certeza de que os registros de um arquivo foram apagados.

    Eliminação segura ao descartar hardwares antigos

    Se você quer jogar fora um hardware ou vende-lo no eBay, é melhor você assegurar que ninguém irá conseguir recuperar seus dados a partir dele. Estudos mostraram, repetidas vezes, que donos de computadores geralmente não conseguem fazer isso – discos rígidos são frequentemente revendidos abarrotados de informações altamente sensíveis. Assim, antes de vender ou reciclar um computador, tenha certeza de que, antes de tudo, você sobrescreveu sua mídia de armazenamento com rabiscos. E, mesmo que você não esteja se livrando do dispositivo imediatamente, se você tem um computador que chegou ao fim da vida útil e não está mais em uso, também é mais seguro limpar o disco rígido antes de largar a máquina num canto ou num armário. Darik’s Boot and Nuke é uma ferramenta desenhada para esta finalidade e há uma série de tutoriais sobre como usá-la pela web (inclusive aqui).

    Alguns softwares de criptografia completa têm a capacidade de destruir a chave mestra, fazendo com que os conteúdos criptografados de um disco rígido se tornem incompreensíveis para sempre. Como a chave é formada por uma pequena quantidade de dados e pode ser destruída quase que instantaneamente, esta é uma alternativa muito mais rápida do que sobrescrever tudo com um software como o Darik’s Book and Nuke, o que pode levar muito tempo para discos maiores. No entanto, esta opção só é factível se o disco rígido sempre foi criptografado. Se você não estava utilizando a criptografia de todo o disco antecipadamente, você vai precisar sobrescrever o disco todo antes de se livrar dele.

    Descartando CDs ou DVDs

    Quando se tratam de CDs ou DVDs, você deve fazer a mesma coisa que se faz com papel – triture-os. Existem algumas trituradoras baratas capazes de mastigá-los. Nunca jogue um CD ou um DVD no lixo simplesmente, a não ser que você tenha absoluta certeza de que não há nada sensível nele.

    Eliminação segura em Solid-state Disks (SDDs), pendrives USB e cartões de memória

    Infelizmente, devido à forma com que SDDs, pendrives USB e cartões de memória funcionam, é bastante difícil – se não impossível – deletar arquivos específicos de maneira segura e, ao mesmo tempo, liberar espaço. Assim, sua melhor aposta em termos de proteção é usar criptografia. Desta maneira, mesmo que o arquivo ainda esteja no disco, ele pelo menos parecerá um rabisco incompreensível para qualquer um que venha a obtê-lo e que não conseguir te forçar a desencriptá-lo. Neste momento, nós não conseguimos fornecer um bom procedimento geral que irá remover seus dados de maneira definitiva de um SDD. Se você quiser saber porque é tão difícil deletar estes dados, continue a ler.

    Como mencionamos antes, SDDs e pendrives USBs usam uma técnica chamada wear leveling. Num nível alto, o wear leveling funciona da seguinte maneira. O espaço em cada disco é dividido em blocos, como se fossem as páginas de um livro. Quando um arquivo é escrito no disco, ele é atribuído a um bloco determinado ou conjunto de blocos (páginas). Se você quiser sobrescrever este arquivo, então tudo o que você precisa fazer é dizer para o disco sobrescrever estes blocos. Mas em dispositivos SSD e USB, apagar e reescrever o mesmo bloco pode provocar desgaste. Cada bloco só pode ser apagado e reescrito por um número limitado de vezes antes que este bloco simplesmente não funcione mais (da mesma maneira que, se você escrever num papel a lápis e apagar repetidas vezes, eventualmente o papel acaba rasgando e se torna inútil). Para neutralizar isto, dispositivos SSD e USB vão tentar assegurar que a quantidade de vezes que cada bloco foi apagado e reescrito seja a mesma, para que o dispositivo dure o máximo de tempo possível (daí vem o termo wear leveling). Um efeito colateral pode acontecer: ao invés de apagar e escrever o bloco em que um arquivo havia sido originariamente armazenado, o dispositivo vai deixar aquele bloco de lado, marcá-lo como inválido e apenas escrever o arquivo modificado num bloco diferente. Isto é o mesmo que deixar a página do livro sem alterações, escrever o arquivo modicado numa página diferente e então somente atualizar o índice do livro para indicar a nova página. Tudo isto ocorre num nível muito baixo na eletrônica do disco, de tal maneira que o sistema operacional nem mesmo percebe que aconteceu. No entanto, isto significa que, se você tentar sobrescrever um arquivo, não há garantia de que o dispositivo vai de fato sobrescrevê-lo – e é por isso que apagar arquivos de maneira segura em SSDs é tão mais difícil.

    Última revisão: 
    20-07-2018
  • Tutorial: como deletar dados de maneira segura no Windows

    As instruções abaixo deverão ser utilizadas apenas para deletar dados de maneira segura de discos rígidos. Estas instruções se aplicam apenas a unidades de disco tradicionais e não a Solid State Drives (SSDs), que são o padrão em computadores modernos, dispositivos USB/pen drives ou cartões de memória/cartões de memória flash. É muito difícil deletar dados com segurança de SSDs, dispositivos USB e cartões de memória! Isso se deve ao fato de que estes tipos de dispositivos utilizam uma técnica chamada wear leveling [“nivelamento do desgaste”] e não fornecem acesso de baixo nível aos bits da mesma maneira com que foram armazenados. (Você pode ler mais sobre as razões por que isto causa problemas para deletar dados de maneira segura aqui.) Se você estiver usando um SSD ou um pen drive USB, pule diretamente para esta seção abaixo.

    Você sabia que quando você move um arquivo do seu computador para a pasta do lixo e esvazia em seguida, o arquivo não é completamente apagado? Como regra, computadores não “deletam” arquivos; quando você coloca um arquivo no lixo, seu computador só torna o arquivo invisível e permite que o espaço que ele ocupava seja sobrescrito por alguma outra coisa no futuro. Até que isto aconteça, aquele arquivo “deletado” ainda está no seu disco; ele apenas está invisível para operações normais. E, com um pouco de trabalho e com as ferramentas certas (tal como um software para “desdeletar” ou métodos forenses), aquele arquivo “deletado” pode ser recuperado.

    Então qual é a melhor maneira de deletar um arquivo para sempre? Garanta que ele seja sobrescrito imediatamente. Isto dificulta a recuperação do que estava escrito lá antes. Provavelmente seu sistema operacional já tem um software que pode fazer isto por você – um software que pode sobrescrever todo o espaço “vazio” no seu disco com rabiscos e, assim, proteger a confidencialidade dos dados deletados.

    No Windows, atualmente nós sugerimos usar o BleachBit, uma ferramenta segura e de código aberto para deletar arquivos em Linux e Windows. O BleachBit pode ser utilizado para selecionar, de maneira fácil e rápida, arquivos específicos e apagá-los de maneira segura ou para implementar políticas periódicas e seguras de eliminação de arquivos. Também é possível escrever instruções personalizadas para eliminar arquivos. Você encontra mais informações nesta documentação.

    Instalando o BleachBit

    Você consegue obter o BleachBit para Windows ao fazer o download do instalador na página do BleachBit.

    Clique no link BleachBit intaller.exe. Você será levado à página de download.

    Muitos navegadores vão te pedir para confirmar se você quer mesmo fazer o download deste arquivo. O Microsoft Edge 40 mostra uma barra na parte de baixo da janela do navegador, com uma borda azul.

    Independentemente do navegador, é melhor primeiro salvar o arquivo antes de continuar, então clique no botão “Save” [“Salvar”]. Como padrão, a maioria dos navegadores salvam os arquivos baixados na pasta de Downloads.

    Mantenha aberta a janela do Windows Explorer e clique duas vezes em BleachBit-2.0-setup. A pergunta se você deseja permitir a instalação do programa aparecerá em seguida. Clique no botão “Yes” [“Sim”].

    Uma janela vai abrir e perguntar se você quer selecionar um idioma para a instalação. Selecione o idioma que você preferir e clique em OK.

    A próxima janela vai te mostrar a Licença Pública Geral GNU. Clique em “I Agree” [“Eu concordo”].

    Na janela seguinte, o BleachBit vai te mostrar algumas opções de customização. Você pode deixar as opções tal como elas estão. Nós recomendamos remover a marca de verificação da opção “Desktop”. Clique no botão “Next” [“Seguinte”].

    Agora o BleachBit vai te pedir para confirmar onde você quer instalar o software. Clique no botão “Install” [“Instalar”].

    Por fim, o instalador do BleachBit exibe uma janela dizendo que a instalação foi concluída. Clique no botão “Next” [“Seguinte”].

    A última janela do instalador pergunta se você já quer executar o BleachBit. Retire a marca de verificação da opção “Run BleachBit” [“Executar BleachBit”]. Clique no botão “Finish” [“Terminar”].

    Utilizando o BleachBit

    Vá ao menu “Iniciar”, clique no ícone do Windows e selecione o BleachBit.

    Uma pequena janela vai abrir, em que você confirma que quer abrir o BleachBit.

    A principal janela do BleachBit vai abrir. O BleachBit vai detectar diversos programas que são comumente instalados por usuários e vai mostrar opções especiais para cada programa.

    Utilizando predefinições

    O BleachBit pode limpar os rastros que o Internet Explorer deixa para trás por meio da predefinição do Internet Explorer. Marque a caixa ao lado de Internet Explorer. Perceba que todas as outras caixas, referentes a Cookies, Form history [Histórico de formulário], History [História] e Temporary Files [Arquivos temporários] também passam a ficar marcadas. Você pode desmarcá-las conforme sua preferência. Clique no botão “Clean” [“Limpar”].

    O BleachBit passa agora a limpar certos arquivos e vai te mostrar o progresso desta tarefa.

    Como deletar uma pasta de maneira segura

    Clique no menu “File” [“Arquivo”] e selecione “Shred Folders” [“Triturar pastas”].

    Uma pequena janela irá aparecer. Selecione a pasta que você quer triturar.

    O BleachBit irá te pedir para confirmar se você quer deletar os arquivos selecionados de maneira definitiva. Clique no botão “Delete” [“Deletar”].

    Agora o BleachBit vai te mostrar os arquivos que você deletou. Veja que o BleachBit deleta cada um dos arquivos da pasta em segurança e, em seguida, deleta a pasta.

    Como deletar um arquivo de maneira segura

    Clique no menu “File” [“Arquivo”] e selecione “Shred Files” [“Triturar arquivos”].

    Uma janela de seleção de arquivos irá abrir. Selecione os arquivos que você quer triturar.

    O BleachBit vai te pedir para confirmar se você quer deletar os arquivos selecionados definitivamente. Clique no botão “Delete” [“Deletar”].

    O BleachBit tem uma série de outras funcionalidades. Talvez a mais útil seja a ferramenta para limpar espaços livres. Esta função tentará remover qualquer vestígio de arquivos que você já deletou. Com frequência, o Linux irá manter, em todo ou em parte, os dados de arquivos deletados no espaço livre remanescente no seu disco rígido. Limpar o espaço livre vai sobrescrever estas partes supostamente vazias do disco rígido com dados aleatórios. Limpar o espaço livre pode tomar muito tempo, dependendo de quanta capacidade o seu dispositivo ainda tem sobrando.

    Um aviso sobre as limitações das ferramentas de eliminação segura de arquivos

    Lembre-se que a recomendação dada aqui apenas elimina os arquivos que estão no disco do computador que você está utilizando. Nenhuma das ferramentas mencionadas antes irá deletar backups [cópias de segurança] feitos para outro lugar no seu computador, em outro disco ou dispositivo USB, na “Time Machine”, num servidor de e-mail, na nuvem ou enviado a seus contatos. Para deletar um arquivo com toda segurança, você precisa deletar todas as cópias deste arquivo, em todos os lugares em que ele foi armazenado ou para os quais ele foi enviado. Além disso, uma vez que um arquivo foi armazenado na nuvem (via Dropbox, por exemplo, ou por meio de qualquer outro serviço de compartilhamento de arquivos), geralmente não há como garantir que ele será deletado definitivamente.

    Infelizmente, existe ainda uma outra limitação das ferramentas de eliminação segura de arquivos. Mesmo que você siga a recomendação acima e que você tenha deletado todas as cópias de um arquivo, ainda há alguma chance de que certos vestígios de arquivos deletados persistam no seu computador – não porque os próprios arquivos não tenham sido deletados de maneira adequada, mas porque uma parte do sistema operacional ou algum outro programa mantem um registro deliberado destes dados.

    São muitas as maneiras em que isto pode acontecer, mas dois exemplos devem ser suficientes para mostrar esta possibilidade. No Windows ou no macOS, o Microsoft Office pode reter uma referência ao nome de um arquivo no menu “Documentos recentes”, mesmo que o arquivo tenha sido deletado (às vezes o Office pode até mesmo manter arquivos temporários que contêm o conteúdo do arquivo). No Linux ou em outro sistema *nix, o LibreOffice pode manter tantos registros quanto o Microsoft Office e o arquivo da shell history do usuário pode conter comandos que incluem o nome do arquivo, mesmo que o próprio arquivo tenha sido deletado de maneira segura. Na prática, pode haver dúzias de programas que se comportam desta maneira.

    É difícil saber como responder a este problema. É seguro pressupor que, mesmo que um arquivo tenha sido deletado de maneira segura, provavelmente o nome dele vai continuar a existir por algum tempo no seu computador. Sobrescrever o disco inteiro é a única forma de ter 100% de certeza de que o nome será apagado. Alguns de vocês podem estar pensando: “Será que eu poderia procurar nos dados brutos [raw data] do disco para ver se ainda existem cópias destes dados em algum lugar?” A reposta é: sim e não. Fazer esta busca no disco irá te contar se os dados estão presentes em textos simples, mas não irá te dizer se algum programa tem referências comprimidas ou codificadas de alguma forma a estes dados. Além disso, tome cuidado para que a busca em si mesma não deixe um registro! A probabilidade de que o conteúdo do arquivo possa persistir é mais baixa, mas não é impossível. Sobrescrever o disco por inteiro e instalar um sistema operacional novo é a única maneira de ter 100% de certeza de que os registros de um arquivo foram apagados.

    Eliminação segura ao descartar hardwares antigos

    Se você quer jogar fora um hardware ou vende-lo no eBay, é melhor você assegurar que ninguém irá conseguir recuperar seus dados a partir dele. Estudos mostraram, repetidas vezes, que donos de computadores geralmente não conseguem fazer isso – discos rígidos são frequentemente revendidos abarrotados de informações altamente sensíveis. Assim, antes de vender ou reciclar um computador, tenha certeza de que, antes de tudo, você sobrescreveu sua mídia de armazenamento com rabiscos. E, mesmo que você não esteja se livrando do dispositivo imediatamente, se você tem um computador que chegou ao fim da vida útil e não está mais em uso, também é mais seguro limpar o disco rígido antes de largar a máquina num canto ou num armário. Darik’s Boot and Nuke é uma ferramenta desenhada para esta finalidade e há uma série de tutoriais sobre como usá-la pela web (inclusive aqui).

    Alguns softwares de criptografia completa têm a capacidade de destruir a chave mestra, fazendo com que os conteúdos criptografados de um disco rígido se tornem incompreensíveis para sempre. Como a chave é formada por uma pequena quantidade de dados e pode ser destruída quase que instantaneamente, esta é uma alternativa muito mais rápida do que sobrescrever tudo com um software como o Darik’s Book and Nuke, o que pode levar muito tempo para discos maiores. No entanto, esta opção só é factível se o disco rígido sempre foi criptografado. Se você não estava utilizando a criptografia de todo o disco antecipadamente, você vai precisar sobrescrever o disco todo antes de se livrar dele.

    Descartando CDs ou DVDs

    Quando se tratam de CDs ou DVDs, você deve fazer a mesma coisa que se faz com papel – triture-os. Existem algumas trituradoras baratas capazes de mastigá-los. Nunca jogue um CD ou um DVD no lixo simplesmente, a não ser que você tenha absoluta certeza de que não há nada sensível nele.

    Eliminação segura em Solid-state Disks (SDDs), pendrives USB e cartões de memória

    Infelizmente, devido à forma com que SDDs, pendrives USB e cartões de memória funcionam, é bastante difícil – se não impossível – deletar arquivos específicos de maneira segura e, ao mesmo tempo, liberar espaço. Assim, sua melhor aposta em termos de proteção é usar criptografia. Desta maneira, mesmo que o arquivo ainda esteja no disco, ele pelo menos parecerá um rabisco incompreensível para qualquer um que venha a obtê-lo e que não conseguir te forçar a desencriptá-lo. Neste momento, nós não conseguimos fornecer um bom procedimento geral que irá remover seus dados de maneira definitiva de um SDD. Se você quiser saber porque é tão difícil deletar estes dados, continue a ler.

    Como mencionamos antes, SDDs e pendrives USBs usam uma técnica chamada wear leveling. Num nível alto, o wear leveling funciona da seguinte maneira. O espaço em cada disco é dividido em blocos, como se fossem as páginas de um livro. Quando um arquivo é escrito no disco, ele é atribuído a um bloco determinado ou conjunto de blocos (páginas). Se você quiser sobrescrever este arquivo, então tudo o que você precisa fazer é dizer para o disco sobrescrever estes blocos. Mas em dispositivos SSD e USB, apagar e reescrever o mesmo bloco pode provocar desgaste. Cada bloco só pode ser apagado e reescrito por um número limitado de vezes antes que este bloco simplesmente não funcione mais (da mesma maneira que, se você escrever num papel a lápis e apagar repetidas vezes, eventualmente o papel acaba rasgando e se torna inútil). Para neutralizar isto, dispositivos SSD e USB vão tentar assegurar que a quantidade de vezes que cada bloco foi apagado e reescrito seja a mesma, para que o dispositivo dure o máximo de tempo possível (daí vem o termo wear leveling). Um efeito colateral pode acontecer: ao invés de apagar e escrever o bloco em que um arquivo havia sido originariamente armazenado, o dispositivo vai deixar aquele bloco de lado, marcá-lo como inválido e apenas escrever o arquivo modificado num bloco diferente. Isto é o mesmo que deixar a página do livro sem alterações, escrever o arquivo modicado numa página diferente e então somente atualizar o índice do livro para indicar a nova página. Tudo isto ocorre num nível muito baixo na eletrônica do disco, de tal maneira que o sistema operacional nem mesmo percebe que aconteceu. No entanto, isto significa que, se você tentar sobrescrever um arquivo, não há garantia de que o dispositivo vai de fato sobrescrevê-lo – e é por isso que apagar arquivos de maneira segura em SSDs é tão mais difícil.

    Última revisão: 
    24-08-2018
  • Tutorial: como deletar dados de maneira segura no Linux

    As instruções abaixo deverão ser utilizadas apenas para deletar dados de maneira segura de discos rígidos. Estas instruções se aplicam apenas a unidades de disco tradicionais e não a Solid State Drives (SSDs), que são o padrão em computadores modernos, dispositivos USB/pen drives ou cartões de memória/cartões de memória flash. É muito difícil deletar dados com segurança de SSDs, dispositivos USB e cartões de memória! Isso se deve ao fato de que estes tipos de dispositivos utilizam uma técnica chamada wear leveling [“nivelamento do desgaste”] e não fornecem acesso de baixo nível aos bits da mesma maneira com que foram armazenados. (Você pode ler mais sobre as razões por que isto causa problemas para deletar dados de maneira segura aqui.) Se você estiver usando um SSD ou um pen drive USB, pule diretamente para esta seção abaixo.

    Você sabia que quando você move um arquivo do seu computador para a pasta do lixo e esvazia em seguida, o arquivo não é completamente apagado? Como regra, computadores não “deletam” arquivos; quando você coloca um arquivo no lixo, seu computador só torna o arquivo invisível e permite que o espaço que ele ocupava seja sobrescrito por alguma outra coisa no futuro. Até que isto aconteça, aquele arquivo “deletado” ainda está no seu disco; ele apenas está invisível para operações normais. E, com um pouco de trabalho e com as ferramentas certas (tal como um software para “desdeletar” ou métodos forenses), aquele arquivo “deletado” pode ser recuperado.

    Então qual é a melhor maneira de deletar um arquivo para sempre? Garanta que ele seja sobrescrito imediatamente. Isto dificulta a recuperação do que estava escrito lá antes. Provavelmente seu sistema operacional já tem um software que pode fazer isto por você – um software que pode sobrescrever todo o espaço “vazio” no seu disco com rabiscos e, assim, proteger a confidencialidade dos dados deletados.

    No Linux, atualmente nós sugerimos usar o BleachBit, uma ferramenta segura e de código aberto para deletar arquivos em Linux e Windows. É muito mais sofisticada do que a funcionalidade de “triturar” que já vem embutida. O BleachBit pode ser utilizado para selecionar, de maneira fácil e rápida, arquivos específicos e apagá-los de maneira segura ou para implementar políticas periódicas e seguras de eliminação de arquivos. Também é possível escrever instruções personalizadas para eliminar arquivos. Você encontra mais informações nesta documentação.

    Instalando o BleachBit

    Instalando com o Ubuntu Software

    Você consegue obter o BleachBit no Ubuntu por meio do aplicativo do Ubuntu Software. Se ele estiver nos seus aplicativos favoritos, você pode ter acesso a ele ao clicar na parte esquerda da tela.

    Se não estiver nos seus favoritos, clique no botão de aplicativos na parte inferior esquerda da tela e então use o campo de busca.

    Digite “software” no campo de busca e clique no ícone do Ubuntu Software.

    Por padrão, o BleachBit não vai estar listado. Para garantir que ele seja listado, ative os pacotes mantidos pela comunidade clicando em “Ubuntu Software” no menu superior e, em seguida, clicando em “Software & Updates” [“Software & Atualizações”].

    Na nova janela, certifique-se de que a caixa ao lado de “Community-maintained free and open-source software (universe)” [“Softwares livres e de código aberto mantidos pela comunidade (universo)” esteja marcada e depois clique em “Close” [“Fechar”] e “Reload” [“Recarregar”]. Se a caixa já estiver marcada, você pode apenas clicar em “Fechar”.

    Agora você pode navegar pelo Ubuntu Software em busca do BleachBit, mas procurar diretamente pelo aplicativo é mais rápido. Use o campo de busca ao clicar na lente de aumento no canto superior direito da janela.

    Então insira “BleachBit” no campo de busca.

    Clique em BleachBit e depois clique no botão “Install” [“Instalar”].

    O Ubuntu Software pedirá sua senha para permitir a instalação. Insira sua senha e clique no botão “Authenticate” [“Autenticar”].

    O Ubuntu Software Center vai instalar o BleachBit e vai te mostrar uma pequena barra de progressão da instalação. Quando a instalação estiver concluída, você verá um botão “Launch” [“Lançar”] e outro “Remove” [“Remover”].

    Instalando a partir do Terminal

    Você também consegue obter o BleachBit no Ubutu usando o Terminal. Clique no botão de aplicativos no lado inferior esquerdo da tela e use a ferramenta de busca.

    Digite “terminal” no campo de busca e clique no ícone do Terminal.

    Digite “sudo apt-get install bleachbit” e aperte Enter.

    Você precisará inserir sua senha para confirmar que você quer mesmo instalar o BleachBit. Insira sua senha e aperte Enter.

    Agora você vai ver o progresso da instalação do BleachBit e, quando ela estiver concluída, você deverá estar de volta à linha de comando na qual você começou.

    Adicionar o BleachBit à barra lateral

    Clique no botão de aplicativos no lado inferior esquerdo da tela e use o campo de busca.

    Digite “bleach” no campo de busca e duas opções vão aparecer: BleachBit e BleachBit (as root).

    Apenas utilize a opção BleachBit (as root) se você souber o que você está fazendo, já que ela pode causar danos irreparáveis se você utilizá-la para deletar arquivos que são necessários ao funcionamento do sistema operacional.

    Clique com o botão direito em BleachBit e selecione “Add to Favorites” [“Adicionar aos Favoritos”].

    Utilizando o BleachBit

    Clique no ícone do BleachBit em seu menu de Favoritos no lado esquerdo da tela.

    A principal janela do BleachBit vai abrir e o programa vai te dar um panorama das preferências. Nós recomendamos marcar a opção “Overwrite contents of files to prevent recovery” [“Sobrescrever o conteúdo dos arquivos para prevenir a recuperação”].

    Clique no botão “Close” [“Fechar”].

    O BleachBit vai detectar diversos programas que são comumente instalados por usuários e vai mostrar opções especiais para cada programa.

    Utilizando predefinições

    Alguns softwares deixam para trás registros de quando e como foram utilizados. Dois exemplos importantes que apenas começam a ilustrar esta questão difundida são os “Documentos recentes” e o histórico do seu navegador na web. Um software que rastreia os documentos editados recentemente deixa um registro dos nomes dos arquivos com os quais você está trabalhando, mesmo que os arquivos propriamente ditos tenham sido deletados. E navegadores da web geralmente mantém registros detalhados de quais sites você visitou recentemente e mantém cópias em cache de páginas e imagens desses sites, para fazer com que eles carreguem mais rápido da próxima vez que você os visitar.

    O BleachBit fornece “predefinições” que podem remover alguns destes registros para você, com base em pesquisas feitas pelos criadores do aplicativo a respeito da localização de registros no seu computador que tendem a revelar suas atividades. Nós vamos descrever como se usam apenas duas dessas predefinições para que você tenha uma ideia de como elas funcionam.

    Marque a caixa ao lado de “System” [“Sistema”]. Veja que isto faz com que todas as caixas abaixo da categoria “Sistema” fiquem marcadas. Desmarque a caixa “Systema” e marque as seguintes: “Recent document list” [“Lista de documentos recentes”] e “Trash” [“Lixo”]. Clique no botão “Clean” [“Limpar”].

    Agora o BleachBit vai te pedir para confirmar. Clique no botão “Delete” [“Deletar”].

    O BleachBit passa agora a limpar certos arquivos e vai te mostrar o progresso desta tarefa.

    Como deletar uma pasta de maneira segura

    Clique no menu “File” [“Arquivo”] e selecione “Shred Folders” [“Triturar pastas”].

    Uma pequena janela irá aparecer. Selecione a pasta que você quer triturar.

    O BleachBit irá te pedir para confirmar se você quer deletar os arquivos selecionados de maneira definitiva. Clique no botão “Delete” [“Deletar”].

    Agora o BleachBit vai te mostrar os arquivos que você deletou. Veja que o BleachBit deleta cada um dos arquivos da pasta em segurança e, em seguida, deleta a pasta.

    Como deletar um arquivo de maneira segura

    Clique no menu “File” [“Arquivo”] e selecione “Shred Files” [“Triturar arquivos”].

    Uma janela de seleção de arquivos irá abrir. Selecione os arquivos que você quer triturar.

    O BleachBit vai te pedir para confirmar se você quer deletar os arquivos selecionados definitivamente. Clique no botão “Delete” [“Deletar”].

    O BleachBit tem uma série de outras funcionalidades. Talvez a mais útil seja a ferramenta para limpar espaços livres. Esta função tentará remover qualquer vestígio de arquivos que você já deletou. Com frequência, o Linux irá manter, em todo ou em parte, os dados de arquivos deletados no espaço livre remanescente no seu disco rígido. Limpar o espaço livre vai sobrescrever estas partes supostamente vazias do disco rígido com dados aleatórios. Limpar o espaço livre pode tomar muito tempo, dependendo de quanta capacidade o seu dispositivo ainda tem sobrando.

    Um aviso sobre as limitações das ferramentas de eliminação segura de arquivos

    Lembre-se que a recomendação dada aqui apenas elimina os arquivos que estão no disco do computador que você está utilizando. Nenhuma das ferramentas mencionadas antes irá deletar backups [cópias de segurança] feitos para outro lugar no seu computador, em outro disco ou dispositivo USB, na “Time Machine”, num servidor de e-mail, na nuvem ou enviado a seus contatos. Para deletar um arquivo com toda segurança, você precisa deletar todas as cópias deste arquivo, em todos os lugares em que ele foi armazenado ou para os quais ele foi enviado. Além disso, uma vez que um arquivo foi armazenado na nuvem (via Dropbox, por exemplo, ou por meio de qualquer outro serviço de compartilhamento de arquivos), geralmente não há como garantir que ele será deletado definitivamente.

    Infelizmente, existe ainda uma outra limitação das ferramentas de eliminação segura de arquivos. Mesmo que você siga a recomendação acima e que você tenha deletado todas as cópias de um arquivo, ainda há alguma chance de que certos vestígios de arquivos deletados persistam no seu computador – não porque os próprios arquivos não tenham sido deletados de maneira adequada, mas porque uma parte do sistema operacional ou algum outro programa mantem um registro deliberado destes dados.

    São muitas as maneiras em que isto pode acontecer, mas dois exemplos devem ser suficientes para mostrar esta possibilidade. No Windows ou no macOS, o Microsoft Office pode reter uma referência ao nome de um arquivo no menu “Documentos recentes”, mesmo que o arquivo tenha sido deletado (às vezes o Office pode até mesmo manter arquivos temporários que contêm o conteúdo do arquivo). No Linux ou em outro sistema *nix, o LibreOffice pode manter tantos registros quanto o Microsoft Office e o arquivo da shell history do usuário pode conter comandos que incluem o nome do arquivo, mesmo que o próprio arquivo tenha sido deletado de maneira segura. Na prática, pode haver dúzias de programas que se comportam desta maneira.

    É difícil saber como responder a este problema. É seguro pressupor que, mesmo que um arquivo tenha sido deletado de maneira segura, provavelmente o nome dele vai continuar a existir por algum tempo no seu computador. Sobrescrever o disco inteiro é a única forma de ter 100% de certeza de que o nome será apagado. Alguns de vocês podem estar pensando: “Será que eu poderia procurar nos dados brutos [raw data] do disco para ver se ainda existem cópias destes dados em algum lugar?” A reposta é: sim e não. Fazer esta busca no disco (por exemplo, usando um comando como grep -ab /dev/ no Linux) irá te contar se os dados estão presentes em textos simples, mas não irá te dizer se algum programa tem referências comprimidas ou codificadas de alguma forma a estes dados. Além disso, tome cuidado para que a busca em si mesma não deixe um registro! A probabilidade de que o conteúdo do arquivo possa persistir é mais baixa, mas não é impossível. Sobrescrever o disco por inteiro e instalar um sistema operacional novo é a única maneira de ter 100% de certeza de que os registros de um arquivo foram apagados.

    Eliminação segura ao descartar hardwares antigos

    Se você quer jogar fora um hardware ou vende-lo no eBay, é melhor você assegurar que ninguém irá conseguir recuperar seus dados a partir dele. Estudos mostraram, repetidas vezes, que donos de computadores geralmente não conseguem fazer isso – discos rígidos são frequentemente revendidos abarrotados de informações altamente sensíveis. Assim, antes de vender ou reciclar um computador, tenha certeza de que, antes de tudo, você sobrescreveu sua mídia de armazenamento com rabiscos. E, mesmo que você não esteja se livrando do dispositivo imediatamente, se você tem um computador que chegou ao fim da vida útil e não está mais em uso, também é mais seguro limpar o disco rígido antes de largar a máquina num canto ou num armário. Darik’s Boot and Nuke é uma ferramenta desenhada para esta finalidade e há uma série de tutoriais sobre como usá-la pela web (inclusive aqui).

    Alguns softwares de criptografia completa têm a capacidade de destruir a chave mestra, fazendo com que os conteúdos criptografados de um disco rígido se tornem incompreensíveis para sempre. Como a chave é formada por uma pequena quantidade de dados e pode ser destruída quase que instantaneamente, esta é uma alternativa muito mais rápida do que sobrescrever tudo com um software como o Darik’s Book and Nuke, o que pode levar muito tempo para discos maiores. No entanto, esta opção só é factível se o disco rígido sempre foi criptografado. Se você não estava utilizando a criptografia de todo o disco antecipadamente, você vai precisar sobrescrever o disco todo antes de se livrar dele.

    Descartando CDs ou DVDs

    Quando se tratam de CDs ou DVDs, você deve fazer a mesma coisa que se faz com papel – triture-os. Existem algumas trituradoras baratas capazes de mastigá-los. Nunca jogue um CD ou um DVD no lixo simplesmente, a não ser que você tenha absoluta certeza de que não há nada sensível nele.

    Eliminação segura em Solid-state Disks (SDDs), pendrives USB e cartões de memória

    Infelizmente, devido à forma com que SDDs, pendrives USB e cartões de memória funcionam, é bastante difícil – se não impossível – deletar arquivos específicos de maneira segura e, ao mesmo tempo, liberar espaço. Assim, sua melhor aposta em termos de proteção é usar criptografia. Desta maneira, mesmo que o arquivo ainda esteja no disco, ele pelo menos parecerá um rabisco incompreensível para qualquer um que venha a obtê-lo e que não conseguir te forçar a desencriptá-lo. Neste momento, nós não conseguimos fornecer um bom procedimento geral que irá remover seus dados de maneira definitiva de um SDD. Se você quiser saber porque é tão difícil deletar estes dados, continue a ler.

    Como mencionamos antes, SDDs e pendrives USBs usam uma técnica chamada wear leveling. Num nível alto, o wear leveling funciona da seguinte maneira. O espaço em cada disco é dividido em blocos, como se fossem as páginas de um livro. Quando um arquivo é escrito no disco, ele é atribuído a um bloco determinado ou conjunto de blocos (páginas). Se você quiser sobrescrever este arquivo, então tudo o que você precisa fazer é dizer para o disco sobrescrever estes blocos. Mas em dispositivos SSD e USB, apagar e reescrever o mesmo bloco pode provocar desgaste. Cada bloco só pode ser apagado e reescrito por um número limitado de vezes antes que este bloco simplesmente não funcione mais (da mesma maneira que, se você escrever num papel a lápis e apagar repetidas vezes, eventualmente o papel acaba rasgando e se torna inútil). Para neutralizar isto, dispositivos SSD e USB vão tentar assegurar que a quantidade de vezes que cada bloco foi apagado e reescrito seja a mesma, para que o dispositivo dure o máximo de tempo possível (daí vem o termo wear leveling). Um efeito colateral pode acontecer: ao invés de apagar e escrever o bloco em que um arquivo havia sido originariamente armazenado, o dispositivo vai deixar aquele bloco de lado, marcá-lo como inválido e apenas escrever o arquivo modificado num bloco diferente. Isto é o mesmo que deixar a página do livro sem alterações, escrever o arquivo modicado numa página diferente e então somente atualizar o índice do livro para indicar a nova página. Tudo isto ocorre num nível muito baixo na eletrônica do disco, de tal maneira que o sistema operacional nem mesmo percebe que aconteceu. No entanto, isto significa que, se você tentar sobrescrever um arquivo, não há garantia de que o dispositivo vai de fato sobrescrevê-lo – e é por isso que apagar arquivos de maneira segura em SSDs é tão mais difícil.

    Última revisão: 
    20-07-2018
  • Mantendo seus dados seguros

    Se você tem um smartphone, laptop ou tablet, você carrega com você uma enorme quantidade de dados o tempo todo. Seus contatos pessoais, suas comunicações privadas, documentos e fotos pessoais (muitos dos quais podem conter informações confidenciais de dúzias ou mesmo de milhares de pessoas) são apenas alguns dos exemplos de coisas que você pode armazenar nos seus dispositivos digitais. Como armazenamos e carregamos conosco tantos dados, pode ser difícil mantê-los seguros – especialmente porque eles podem ser retirados de você com relativa facilidade.

    Seus dados podem ser confiscados na fronteira, tomados de você na rua ou roubados da sua casa e copiados em segundos. Infelizmente, proteger seu dispositivo com senhas, PINs ou gestos pode não proteger seus dados caso o dispositivo em si seja levado por outra pessoa. É relativamente simples contornar este tipo de proteção porque seus dados estão armazenados de forma relativamente simples de ser lida dentro do dispositivo. Um adversário precisar apenas ter acesso direto ao armazenamento do dispositivo para conseguir copiar ou inspecionar seus dados sem ter sua senha.

    Isto posto, você pode tornar o acesso aos seus segredos mais difícil para quem eventualmente venha a roubar fisicamente seus dados. Listaremos aqui algumas maneiras por meio das quais você pode ajudar a manter seus dados seguros.

    Criptografe seus dados

    Se você utilizar criptografia, seu adversário precisará tanto do seu dispositivo quanto da sua senha para decodificar os dados criptografados. Portanto, é mais fácil e seguro criptografar todos os seus dados e não apenas algumas pastas. A maioria dos computadores e smartphones oferecem a criptografia de disco completo como uma opção.

    Para smartphones e tablets:

    • Em dispositivos mais recentes, o Android oferece a opção de criptografia de disco inteiro no momento em que você configura seu dispositivo pela primeira vez. Em dispositivos mais antigos, este recurso pode ser ativado a qualquer momento nas configurações de “segurança”.
    • Dispositivos Apple como iPhone e iPad chamam o recurso de “Proteção de Dados” e o ativam se você configurar uma senha.

    Para computadores:

    • A Apple oferece um recurso embutido de criptografia no macOS, cujo nome é FileVault.
    • Distribuições do Linux geralmente oferecem criptografia de disco inteiro quando você configura seu sistema pela primeira vez.
    • O Windows Vista ou sistemas posteriores oferecem uma ferramenta de criptografia de disco inteiro chamada BitLocker.

    O código do BitLocker é fechado e proprietário, o que significa que é difícil para analistas externos avaliarem exatamente o quão seguro ele é. Usar o BitLocker requer que você confie que a Microsoft fornece um sistema de armazenamento seguro e sem vulnerabilidades ocultas. Por outro lado, se você já estiver usando o Windows, você já está confiando na Microsoft na mesma medida. Se você está preocupado com a vigilância feito por adversários que podem saber ou se beneficiar de um backdoor no Windows ou no BitLocker, avalie começar a utilizar um sistema operacional alternativo de fonte aberta, como o GNU/Linux ou BSD, especialmente uma versão que tenha sido criada para ser mais resistente contra ataques, tal como o Tails ou o Qubes OS. Como alternativa, considere instalar um programa de criptografia de disco alternativo, como o  Veracrypt, para criptografar seu disco rígido.

    Mas lembre-se: independente do nome dado pelo seu dispositivo ao recurso de criptografia, ele será sempre tão eficiente quanto a senha que você utilizar. Se um adversário estiver de posse de seu dispositivo, ele terá todo o tempo do mundo para descobrir suas senhas. Uma forma efetiva de criar e armazenar senhas fortes e simples de lembrar é utilizar um dado de números e uma lista de palavras para escolher palavras aleatoriamente. Juntas, estas palavras formarão sua “frase-chave”. Uma “frase-chave” é um tipo de senha mais comprida, com o objetivo de ser mais segura. Para criptografia de disco inteiro, nós recomendamos utilizar, no mínimo, seis palavras. Para mais informações, leia nosso guia Criando senhas fortes.

    Mas, sendo realista, a maioria de nós não irá memorizar e digitar frases-chaves longas nos nossos smartphones ou dispositivos móveis. Desse modo, enquanto a criptografia pode ser útil para evitar o acesso eventual, você deve preservar os dados que são realmente confidenciais, mantendo-os protegidos do acesso físico de aversários ou isolados à distância em um dispositivo muito mais seguro.

    Crie um dispositivo seguro

    Pode ser difícil manter um ambiente seguro. No melhor dos casos, você tem que mudar senhas, hábitos e talvez até mesmo o software que você usa em seu computador ou dispositivo principal. No pior dos casos, você tem que pensar constantemente se está deixando vazar informações confidenciais ou utilizando práticas inseguras. Mesmo quando você conhece os problemas, você pode não conseguir solucioná-los porque às vezes as pessoas como quem você precisa se comunicar fazem uso de práticas de segurança digitais inseguras. Por exemplo, seus colegas de trabalho podem querer que você continue a abrir anexos de e-mail enviados por eles, mesmo que você saiba que seus adversários poderiam fingir ser um deles para enviar malwares.

    Então qual é a solução? Sugerimos que você separe seus dados e comunicações valiosos em um dispositivo mais seguro. Você pode utilizar este dispositivo para manter uma cópia principal de seus dados confidenciais. Utilize este dispositivo apenas ocasionalmente e, quando o fizer, conscientemente tome muito mais cuidado com suas ações. Se você precisar abrir um anexo ou utilizar software inseguro, faça isto em outra máquina.

    Um computador seguro extra pode não ser uma opção tão cara quanto você imagina. Um computador que raramente é utilizado e que apenas executa alguns programas não precisa ser particularmente rápido ou novo. Você pode comprar um netbook antigo por um preço bem inferior ao preço de um laptop de um telefone modernos. Máquinas mais antigas têm também a vantagem de que softwares seguros, como o Tails, terão maior probabilidade de rodar neles do que em modelos mais recentes.

    Quando for configurar um computador seguro, que passos devo seguir para torná-lo mais seguro?

    1. Mantenha seu dispositivo bem escondido e não fale abertamente sobre sua localização – deixe-o em algum lugar onde você poderá saber caso alguém tenha mexido nele, como, por exemplo, em um armário trancado.
    2. Criptografe o disco rígido de seu computador com uma frase-chave forte, de maneira que, caso seja roubado, os dados continuarão a ser ilegíveis sem sua senha.
    3. Instale um sistema operacional focado em privacidade e segurança, como o Tails. Você pode não conseguir (ou querer) utilizar um sistema operacional de fonte aberta no trabalho do seu dia-a-dia, mas se você precisa apenas armazenar, editar, e escrever e-mails ou mensagens instantâneas a partir deste dispositivo seguro, o Tails funcionará bem e tem as configurações de segurança mais rígidas como padrão de instalação.
    4. Mantenha seu dispositivo offline. Não é nenhuma surpresa que a melhor maneira de se proteger de ataques vindos da internet ou de vigilância online é nunca se conectar à internet. Você pode se certificar de que seu dispositivo seguro jamais se conecte a uma rede local ou a uma rede sem fio e apenas copiar arquivos para ele ou dele utilizando mídias físicas, como por exemplo DVDs ou dispositivos USB. Em segurança de redes, isso é conhecido como um “air gap” entre o computador e o resto do mundo. Apesar de extrema, esta pode ser uma opção caso você deseje proteger dados que raramente acessa, mas que não quer perder (como, por exemplo, uma chave de criptografia, uma lista de senhas ou uma cópia de segurança dos dados pessoais de alguém que foi confiada a você). Na maior parte desses casos, você pode querer considerar ter apenas um dispositivo de armazenamento escondido em vez de um computador completo. Um pen drive USB criptografado e escondido em local seguro, por exemplo, é, provavelmente, tão útil (ou tão inútil) quanto um computador completo desconectado da internet.
    5. Não se conecte às suas contas habituais. Se você utiliza seu dispositivo seguro para se conectar à internet, crie contas separadas de e-mail ou para a web para se comunicar a partir deste dispositivo, e use o Tor (veja guias para Linux, macOS e Windows) para manter seu endereço IP oculto destes serviços. Se alguém escolher especificamente você como alvo para envio de malware ou se estiver simplesmente interceptando suas comunicações, contas separadas e o uso do Tor podem ajudar a quebrar a ligação entre sua identidade e esta máquina específica.

    Ao mesmo tempo em que ter um dispositivo seguro que contenha informações importantes e confidenciais pode ajudá-lo a se proteger de adversários, ele também se torna um alvo óbvio. Há ainda o risco de perder a única cópia de seus dados caso a máquina venha a ser destruída. Se seu adversário pode se beneficiar caso você perca todos os seus dados, não os mantenha em apenas um lugar, independentemente de quão seguro seja este local. Criptografe uma cópia e o mantenha em um local separado.

    Uma alternativa a ter uma máquina extra segura é ter uma máquina insegura: um dispositivo que você só utiliza quando estiver indo para lugares perigosos ou quando está tentando fazer uma operação arriscada. Muitos jornalistas e ativistas, por exemplo, levam consigo um netbook básico quando viajam. Este computador não contém nenhum de seus documentos, nem informações de contatos habituais ou de e-mails e, por isso, haverá perda mínima caso ele seja confiscado ou tenha seus dados copiados. Você pode aplicar a mesma estratégia com telefones móveis. Se você costuma utilizar um smartphone, considere comprar um telefone descartável barato e levá-lo quando for viajar ou quando for fazer comunicações específicas.

    Última revisão: 
    28-06-2018
  • Como se proteger nas redes sociais

    As redes sociais estão entre os sites mais populares na internet. O Facebook tem mais de um bilhão de usuários e o Instagram e o Twitter têm centenas de milhões de usuários cada um. De maneira geral, as redes sociais foram criadas a partir da ideia do compartilhamento de publicações, fotos e informação pessoal. Agora, elas também se tornaram fóruns de organização e discussão. Qualquer uma destas atividades pode ter por base a privacidade e o uso de pseudônimos.

    Assim, é importante levar as seguintes questões em consideração quando utilizamos redes sociais: Como posso interagir com estes sites protegendo ao mesmo tempo em que me protejo deles? Minha privacidade básica? Minha identidade? Meus contatos e associações? Que informações quero manter privadas e quem será excluído do acesso a elas?

    Dependendo das circunstâncias, pode ser que você precise se proteger da própria rede social, de outros usuários ou de ambos.

    Dicas para levar em conta quando criar uma conta em redes sociais

    • Você quer usar seu nome verdadeiro? Algumas redes sociais têm as assim chamadas “políticas de nome verdadeiro”, mas têm-se tornado menos rigorosas com o passar do tempo. Se você não quiser usar seu nome verdadeiro quando se registra numa rede social, então não o faça.
    • Ao se registrar, não dê mais informações do que é necessário. Se você está preocupado em esconder sua identidade, use um endereço de e-mail diferente e evite informar seu número de telefone. Estas duas informações podem identificá-lo invidualmente e podem associá-lo a diversas outras contas.
    • Seja cuidadoso quando escolher uma foto ou imagem de perfil. Além dos metadados da imagem, que podem incluir o local e a hora em que a foto foi tirada, a própria imagem pode fornecer informações. Antes de escolher a foto de perfil, pergunte a si mesmo: foi tirada na frente de sua casa ou do seu local de trabalho? Há algum endereço ou placas de trânsito visível na imagem, que possa permitir identificação?
    • Saiba que seu endereço de IP pode estar logado no momento em que você se registra.
    • Escolha uma senha forte e, se possível, ative autenticação de dois fatores.
    • Esteja atento às questões de segurança para a recuperação da senha, tais como “Em que cidade você nasceu?” ou “Qual o nome do seu animal de estimação?”, pois estas respostas podem ser extraídas dos detalhes disponibilizados em seus perfis de redes sociais. É recomendável dar respostas falsas às questões de segurança. Caso você escolha dar respostas falsas para ter ainda mais segurança, uma boa maneira de se lembrar das respostas é anotar suas respostas e armazená-las num gerenciador de senhas.

    Verifique a política de privacidade da rede social

    As informações armazenadas por terceiros estão sujeitas às suas próprias políticas e podem ser utilizadas para propósitos comerciais ou compartilhadas com outras empresas, tais como empresas de marketing. Ainda que ler as políticas de privacidade seja uma tarefa praticamente impossível, é importante que você leia as seções que descrevem como os dados são usados, quando são compartilhados com terceiros e como o serviço responde a demandas de autoridades legais.

    Redes sociais são, de maneira geral, empresas com fins lucrativos e frequentemente recolhem informações sensíveis para além daquelas que você forneceu explicitamente – onde você está, a quais interesses e anúncios você reage, que outros sites você visita (por exemplo, por meio do botão “curtir”). Considere bloquear cookies de terceiros e usar as extensões de bloqueio do rastreamento do navegador para garantir que as informações não estão sendo passivamente transmitidas a terceiros.

    Altere as configurações de privacidade

    Especificamente, altere as configurações padrão. Por exemplo: você quer compartilhar as suas postagens com o público ou apenas com um grupo específico de pessoas? As pessoas podem encontrá-lo usando seu endereço de e-mail ou seu número de telefone? Você quer que a sua localização seja compartilhada automaticamente?

    Ainda que cada rede social tenha suas próprias configurações únicas, é possível perceber alguns padrões.

    • Configurações de privacidade tendem a responder à questão: “Quem pode ver o quê?” Nesta seção, você provavelmente vai encontrar configurações relacionadas a pré-determinações da audiência (“público”, “amigos de amigos”, “apenas amigos apenas” etc. ), localização, fotos, informações de contato, tagging e se e como as pessoas podem encontrar seu perfil nas buscas.
    • Configurações de segurança provavelmente estarão mais relacionadas a bloquear ou silenciar outras contas e a se e como você quer ser notificado caso haja uma tentativa não autorizada de entrar na sua conta. Às vezes você vai encontrar configurações de login nessa seção – tais como a autenticação de dois fatores e um e-mail ou número de telefone para back-up. Outras vezes, essas configurações de login poderão ser encontradas nas seções de configuração da conta ou de login, junto com as opções para alterar sua senha.

    Aproveite os check-upsde privacidade e segurança. O Facebook, o Google e outros sites grandes oferecem dispositivos de “check-up de segurança”. Estes guias, formatados no estilo de tutoriais, oferecem orientação, explicando as configurações mais comuns de privacidade e segurança ao usuário com uma linguagem simples. São uma excelente funcionalidade aos usuários.

    Por fim, lembre-se que as configurações de privacidade estão sujeitas a mudanças. Por vezes, estas configurações se tornam melhores e mais detalhadas; por vezes, não. Preste atenção a estas mudanças para ver se qualquer informação que antes era privada passa a ser passível de ser compartilhada publicamente. Também fique atento a quaisquer configurações adicionais que lhe permitam ter mais controle sobre sua privacidade.

    Mantenha perfis separados

    Para muitos de nós, manter separadas as identidades de contas diferentes é fundamental. Isto pode se aplicar a sites de namoro e paquera, a perfis profissionais, a contas anônimas e a contas em várias comunidades.

    Números de telefone e fotos são os dois tipos de infomação a que se deve prestar mais atenção. Em particular, fotos podem sorrateiramente vincular contas que você pretendia que ficassem separadas. Isto é muito comum entre sites de namoro e paquera e perfis profissionais. Se você quer manter seu anonimato ou manter uma certa identidade separada de outras, use uma foto ou imagem que você não usa em qualquer outro lugar online. Para verificar, você pode usar a funcionalidade “reverse image search” [“busca reversa de imagens”] do Google. Outras variáveis que podem vincular as identidades são seu nome (ou mesmo apelidos) e seu e-mail. Se descobrir algum desses nomes num lugar onde não deveriam estar, não entre em pânico ou fique assustado. Em vez disso, pensa em pequenos passos: em vez de tentar fazer com que toda a informação sobre você desapareça da internet, foque em informações específicas, onde elas estão e o que você pode fazer em relação a elas.

    Familiarize-se com as configurações de grupos no Facebook

    Grupos de Facebook  são, cada vez mais, espaços para ação social e para outras atividades potencialmente sensíveis. As configurações dos grupos podem ser confusas. Informe-se mais sobre as configurações dos grupos e, se os participantes estão interessados em aprender mais sobre as configurações de grupo, trabalhe em conjunto com eles para manter seus grupos de Facebook privados e seguros.

    Privacidade é um esporte em equipe

    Não mude apenas as suas próprias configurações e o seu próprio comportamento nas redes sociais. Dê um passo além e converse com seus amigos sobre os dados potencialmente sensíveis que cada um revela sobre demais online. Mesmo que você não tenha uma conta numa rede social ou mesmo que remova o seu tag das postagens, ainda assim seus amigos podem identificá-lo, indicar sua localização e expor as conexões que têm com você, mesmo que não tenham a intenção de fazê-lo. Proteger a privacidade não significa apenas termos cuidado conosco, mas também cuidarmos de todos à nossa volta.

    Última revisão: 
    03-08-2015
  • Como contornar a censura on-line

    Esta é uma visão geral sucinta para contornar a censura on-line, mas não se trata de um documento abrangente.

    Muitos governos, empresas, escolas e pontos de acesso públicos utilizam softwares para evitar que os usuários da internet acessem determinados websites e serviços da web. Isso é chamado de filtragem ou bloqueio da internet e é uma forma de censura. A filtragem do conteúdo vem de diferentes formas. Algumas vezes o website inteiro está bloqueado; outras vezes, apenas páginas avulsas da Web; e em outras o conteúdo é bloqueado baseado em palavras que ele contém.

    Há diferentes maneiras de derrotar a censura na Internet. Algumas protegem você contra a vigilância, mas muitas não. Quando alguém que controla sua conexão à rede filtra ou bloqueia um site, você pode quase sempre utilizar uma ferramenta de evasão para chegar à informação que deseja. Note: Ferramentas de evasão que prometem privacidade ou segurança nem sempre são privadas ou seguras, e ferramentas que utilizam termos como “anonimizador” nem sempre mantêm sua identidade completamente secreta.

    A melhor ferramenta de evasão para você depende do seu modelo de ameaça. Se você não estiver seguro(a) sobre qual é o seu modelo de ameaça, comece aqui.

    Neste artigo, apresentaremos quatro maneiras de driblar a vigilância:

    • Visitando um web proxy para acessar um site bloqueado.
    • Visitando um web proxy criptografado para acessar um site bloqueado.
    • Utilizando uma Rede Privada Virtual (VPN) para acessar um site ou serviço bloqueado.
    • Utilizando o Tor Browser para acessar um site bloqueado ou proteger a sua identidade.

    Técnicas básicas

    Ferramentas de evasão normalmente funcionam desviando seu tráfego de rede para outro computador, de forma a contornar as máquinas que realizam a censura. O serviço intermediário através do qual você canaliza sua comunicação neste processo é chamado de proxy.

    O protocolo HTTPS é uma versão segura do HTTP, utilizado para acessar websites. Algumas vezes o censor bloqueará apenas a versão não segura de um site, permitindo que você o acesse pela versão do domínio que se inicia com HTTPS.

    Isso é particularmente útil se a filtragem a que você está sujeito baseia-se em palavras ou só bloqueia páginas avulsas da Web. O HTTPS impede que os censores leiam seu tráfego na Web; portanto eles não podem dizer quais palavras-chave estão sendo enviadas ou qual página da web você está visitando.

    Censores ainda podem ver o nome de domínio de todos os sites que você visita. Então, por exemplo, se você visitar “eff.org/https-everywhere”, censores podem ver que você está na “eff.org” mas não conseguem ver que você está na página do “https-everywhere”.

    Se suspeita deste tipo de bloqueio simples, tente acessar por meio do https:// antes do domínio, em vez de http://.

    Tente o plug-in HTTPS Everywhere da EFF para ligar o HTTPS automaticamente para aqueles sites que o suportam.

    Outra maneira de conseguir contornar as técnicas básicas de censura é tentar um nome de domínio ou uma URL alternativa. Em vez de visitar http://twitter.com, você pode, por exemplo, visitar http://m.twitter.com, que é a versão móvel do site. Censores que bloqueiam os sites ou páginas da web costumam fazê-lo a partir de uma lista negra de websites proibidos, então qualquer coisa que não esteja na lista negra fica acessível. Eles podem não saber de todas as variações de um determinado nome de domínio de um website, ainda mais se o proprietário do site souber que está bloqueado e registrar mais de um nome.

    Os Proxies baseados na Web

    Um proxy baseado na Web (como o http://proxy.org/) é uma boa maneira de contornar a censura. Tudo que precisa fazer para utilizar um proxy baseado na Web é digitar o endereço filtrado que você quer utilizar e o proxy exibirá, então, o conteúdo solicitado.

    Os proxies baseados na Web são uma boa maneira de acessar rapidamente os websites bloqueados, mas muitas vezes não proporcionam qualquer segurança, e será uma escolha ruim se seu modelo de ameaças inclui alguém vigiando sua conexão com a internet. Além disso, eles não lhe ajudarão a utilizar outros serviços bloqueados, tais como o seu programa de mensagens instantâneas. Finalmente, dependendo do modelo de ameaça, os proxies baseados na Web constituem um risco de privacidade para muitos usuários, pois o proxy terá um registro completo de tudo que você faz on-line.

    Proxies criptografados

    Diversas ferramentas de proxy utilizam criptografia para fornecer uma camada adicional de segurança acima da habilidade de contornar os filtros. A comexão é encriptada para que outros não vejam o que você está visitando. Enquanto proxies criptografados geralmente são mais seguros do que outros proxies baseados na web, o fornecedor da ferramenta pode ter informações sobre você. Ele pode ter seu nome e endereço de email em seus registros, por exemplo. Isso significa que essas ferramentas não fornecem anonimato total.

    A forma mais simples de um proxy da Web criptografado é aquele que começa com "https", pois utilizará a criptografia normalmente fornecida por sites seguros. Ironicamente, no processo, os proprietários desses proxies começarão a ver os dados que você envia e recebe de outros sites seguros, portanto seja cauteloso. O Ultrasurf e o Psiphon são exemplos destas ferramentas.

    Redes privadas virtuais

    Uma Rede Privada Virtual (Virtual Private Network ou VPN) criptografa e envia todos os dados da internet de seu computador para outro computador. Esse equipamento pode pertencer a um serviço VPN comercial ou entidade sem fins lucrativos, sua empresa ou um contato confiável. Uma vez que um serviço VPN esteja corretamente configurado, você pode utilizá-lo para acessar páginas da Web, e-mail, mensagens instantâneas, VoIP e qualquer outro serviço de internet. Uma VPN protege seu tráfego de ser interceptado localmente, porém seu provedor VPN pode manter registros do seu tráfego (websites que você conecta e quando os acessa) ou até mesmo proporcionar a um terceiro a possibilidade de sondar diretamente sua navegação na Web. Dependendo do seu modelo de ameaça, a possibilidade de um governo ouvir sua conexão VPN ou obter os registros pode ser um risco significativo e, para alguns usuários, poderia superar os benefícios de curto prazo da utilização de uma VPN.

    Clique aqui para obter as informações sobre serviços específicos de VPN.

    Nós da EFF não podemos confirmar essa pontuação dos VPNs. Algumas VPNs com políticas de privacidade exemplares poderiam perfeitamenteser mantidas por pessoas desonestas. Não utilize uma VPN na qual você não confie.

    Tor

    Tor é um software gratuito, livre e de código aberto desenhado para  fornecer a você o anonimato na rede. O Tor Browser é um navegador da web construído sobre a rede de anonimato do Tor. Por conta da forma como o Tor roteia seu tráfego de navegação na Web, ele também possibilita que você contorne a censura (Veja nosso guia “Como usar o Tor para Linux, macOS e Windows").

    Quando você inicia o Tor Browser, você pode escolher uma opção especificando que você está em uma rede que é censurada:

    O Tor não só contornará praticamente toda censura nacional, mas, se propriamente configurado, pode também proteger a sua identidade de um adversário monitorando as redes do seu país. Ele pode, no entanto, ser lento e difícil de usar.

    Para aprender a usar o Tor em um desktop, clique aqui (Linux), aqui (macOS), ou aqui (Windows), mas por favor certifique-se de clicar em “Configurar” em vez de “Conectar” na janela exibida acima.

    Última revisão: 
    10-08-2017
  • O que é criptografia?

    A criptografia é a ciência matemática de códigos, cifras e mensagens secretas. As pessoas têm utilizado a criptografia ao longo da história para enviar mensagens um ao outro que (se espera) não possam ser lidas por qualquer pessoa além do destinatário.

    Atualmente, temos computadores que são capazes de executar a criptografia para nós. A tecnologia de criptografia digital se expandiu para além das simples mensagens secretas; atualmente, a criptografia pode ser utilizada para propósitos mais elaborados, por exemplo, para verificar o autor das mensagens ou para navegar anonimamente na Web com o Tor.

    Em algumas circunstâncias, a criptografia pode ser automática e simples. Porém, existem casos em que a criptografia pode resultar em erros, e quanto mais você entendê-la, mais seguro estará contra tais situações.

    Três conceitos para entender em criptografia

    Chaves públicas e privadas

    Um dos conceitos mais importantes para entender em criptografia é o da chave. Os tipos comuns de criptografia incluem uma chave privada, que é secretamente mantida em seu computador e permite que leia mensagens que são dirigidas apenas a você. Uma chave privada permite também que você coloque assinaturas digitais não falsificáveis em mensagens que envia para outras pessoas. Uma chave pública é um arquivo que você pode fornecer para outros ou publicar, e permite que as pessoas se comuniquem com você em sigilo e verifiquem suas assinaturas. As chaves públicas e privadas vêm em pares correspondentes, como as metades de uma rocha que foi dividida em duas partes, que se encaixam perfeitamente, mas que não são as mesmas.

    Certificados de segurança

    Outro conceito extremamente valioso para entender é o do certificado de segurança. O navegador da Web no seu computador pode fazer conexões criptografadas a sites utilizando HTTPS. Quando o fazem, examinam certificados para verificar as chaves públicas dos nomes de domínio (como www.google.com, www.amazon.com, ou ssd.eff.org). Os certificados são uma forma de tentar determinar se você sabe a chave pública correta de uma pessoa ou website, de modo que possam se comunicar em segurança.

    Esporadicamente, você verá mensagens de erro relativas ao certificado na Web. Normalmente, isso é porque uma rede de um hotel ou café esteja tentando quebrar suas comunicações sigilosas com o website. Também é comum ver um erro devido a um equívoco burocrático no sistema de certificados. Ocasionalmente, porém, isso acontece porque um hacker, um ladrão, uma agência de polícia ou agência de espionagem está quebrando a conexão criptografada.

    Infelizmente, é extremamente difícil dizer a diferença entre esses casos. Isso significa que você nunca deve clicar ignorando os avisos de certificados, se este está relacionado com um site onde você tem uma conta ou está lendo alguma informação confidencial.

    Chave de autenticação digital

    A palavra “digital” tem muitos significados na área da segurança em computação. Um uso do termo é uma “chave de autenticação digital”, um conjunto de caracteres como "342e 2309 bd20 0912 ff10 6c63 2192 1928" que lhe permite de maneira única e segura verificar que alguém na rede de Internet está utilizando a chave privada correta. Se você verificar que as chaves de autenticação digitais de alguém são as corretas, isso te dá certo grau de certeza que eles são realmente eles. Porém, esse método não é perfeito, se as chaves são copiadas ou roubadas, qualquer outra pessoa poderia utilizar a mesma autenticação digital.

    Última revisão: 
    22-04-2015
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