Surveillance
Self-Defense

Quer um kit básico de segurança?

  • Quer um kit básico de segurança?

    Comece com uma seleção de simples passos

    A vigilância impacta em todos nós, não importa onde vivemos ou o que fazemos. Enquanto alguns de nós podemos ser diretamente afetados, outros podem simplesmente querer saber quais medidas tomar para proteger suas comunicações e dados de espionagem. Esta lista introdutória o ajudará a descobrir como avaliar o seu risco pessoal, proteger suas comunicações e informações mais estimadas, e começar a pensar em incorporar ferramentas para aumentar a privacidade em sua rotina diária.

  • Escolhendo suas ferramentas

    Com tantas empresas e sites oferecendo ferramentas voltadas a ajudar as pessoas a melhorar sua segurança digital, como você escolhe aquelas que são adequadas para você?

    Nós não temos uma lista infalível de ferramentas para te defender (ainda que você possa ver algumas das opções mais comumente utilizadas nos nossos Guias de Ferramentas [Tool Guides]). Mas se você tem uma boa ideia do que você está tentando proteger – e de quem você está tentando proteger –, este guia pode te ajudar a escolher as ferramentas apropriadas a partir de algumas orientações básicas.

    Lembre-se: a segurança não é determinada pelas ferramentas que você usa ou pelo software que você baixa. Ela começa por entender as ameaças específicas que você enfrenta e por como você pode combatê-las. Para mais informações, veja o nosso guia Avaliando seus riscos [Assessing your risks].

    A segurança é um processo, não uma compra

    Antes de trocar o software que você usa ou antes de comprar novas ferramentas, a primeira coisa a ter em mente é o fato de que nenhuma ferramenta ou software específico vai fornecer proteção absoluta ou assegurar que você vai estar protegido contra vigilância e monitoramento em todas as circunstâncias. Por essa razão, é importante pensar sobre suas práticas de segurança digital de maneira holística. Por exemplo: se você usa ferramentas seguras no seu telefone, mas não coloca senha no seu computador, é bem provável que as ferramentas do seu telefone não te ajudem tanto. Se alguém quiser descobrir informações sobre você, a pessoa vai escolher o caminho mais fácil para obtê-las – e não o mais difícil.

    Em segundo lugar, é impossível se proteger de todo e qualquer tipo de truque ou invasor, então você deve se concentrar em determinar quais são as pessoas que podem querer seus dados, o que elas podem querer fazer com eles e como elas poderão ter a acesso às informações. Se a maior ameaça que você enfrenta é o monitoramento físico feito por um investigador privado e sem acesso às ferramentas de vigilância da internet, você não precisa comprar um sistema caro de telefonia criptografada que diz ser “à prova da Agência Nacional de Segurança”. Por outro lado, se você estiver enfrentando um governo que prende dissidentes com frequência justamente porque eles usam ferramentas de encriptação, pode fazer mais sentido usar táticas mais simples – como estabelecer um conjunto de códigos que soem inofensivos para transmitir mensagens – ao invés de arriscar deixar provas de que você usa um software de criptografia no seu laptop. Pensar com antecedência num conjunto de possíveis ataques contra os quais você quer se proteger é chamado de modelagem de ameaça.

    Tendo tudo isto em conta, estas são algumas perguntas que você pode fazer antes de baixar, comprar ou usar uma ferramenta específica.

    Ela é transparente?

    Há uma forte crença entre os pesquisadores da segurança de que abertura e transparência levam a ferramentas mais seguras.

    Grande parte dos softwares utilizados e recomendados pela comunidade da segurança digital é de código aberto. Isto significa que o código que define como o software funciona está disponível publicamente para que outros possam examinar, modificar e compartilhar. Ao serem transparentes em relação ao funcionamento de seus programas, os criadores destas ferramentas convidam outras pessoas a procurar por falhas de segurança e a ajudar a melhorar o programa.

    Um software de código aberto é uma oportunidade para uma segurança melhor, mas não a garante. A vantagem do código aberto está, em parte, no fato de que existe uma comunidade de tecnólogos que estão de fato verificando o código, o que pode ser difícil de conseguir em projetos pequenos (e mesmo em projetos complexos e mais populares).

    Quando você estiver avaliando uma ferramenta, veja se o código-fonte está disponível e se ele tem uma auditoria independente de segurança para confirmar a qualidade da proteção oferecida. Uma explicação técnica detalhada sobre seu funcionamento, disponível para que outros experts possam inspecionar, é o mínimo que um software ou hardware devem oferecer.

    Seus criadores são claros a respeito das vantagens e desvantagens?

    Nenhum software ou hardware é completamente seguro. Procure por ferramentas feitas por criadores ou vendedores que sejam honestos a respeito das limitações de seus produtos.

    Declarações genéricas que afirmam que o código é de “nível militar” ou “à prova da Agência Nacional de Segurança” são alertas para desconfiar. Estas declarações indicam que os criadores têm uma confiança excessiva em seus produtos ou que não estão dispostos a levar suas possíveis falhas em consideração.

    Como invasores estão sempre tentando descobrir novas formas de quebrar a segurança das ferramentas, os softwares e hardwares precisam ser atualizados para corrigir vulnerabilidades. Pode ser um problema sério se os criadores do programa não estiverem dispostos a fazer isso, seja porque eles têm medo da má propaganda ou porque eles não montaram a infraestrutura para fornecer essas soluções. Procure por criadores que estejam dispostos a fornecer essas atualizações e que sejam honestos e claros sobre as razões porque eles estão fazendo isso.

    Um bom indicador para saber como os desenvolvedores de ferramentas vão se comportar no futuro é seu histórico de atividades. Se o site da ferramenta lista problemas anteriores e disponibiliza links para atualizações e informações regulares – tal como, especificamente, quanto tempo faz desde a última atualização do software –, você pode ter confiança de que eles provavelmente vão continuar a fornecer este serviço no futuro.

    O que acontece se os criadores ficarem comprometidos?

    Quando desenvolvedores de ferramentas de segurança criam um software ou hardware, eles (assim como você) precisam ter um modelo de ameaça claro. Os melhores criadores descrevem explicitamente de qual tipo de adversários eles podem te proteger.

    Mas tem um invasor específico a respeito do qual muitos fabricantes não querem pensar: eles mesmos! E se eles se virem comprometidos ou decidirem atacar seus próprios usuários? Por exemplo: um tribunal ou um governo podem obrigar uma empresa a fornecer dados pessoais ou a criar um backdoor que retira todas as proteções oferecidas pela ferramenta. Por isso, leve em conta a jurisdição – ou as jurisdições – onde os criadores têm sede. Se você estiver preocupado em se proteger contra o governo do Irã, por exemplo, uma empresa com sede nos Estados Unidos poderá se contrapor às ordens judiciais iranianas, ainda que tenha que cumprir as ordens judiciais americanas.

    Ainda que um criador consiga se opor à pressão de um governo, um atacante pode tentar invadir os próprios sistemas do desenvolvedor da ferramenta para atacar seus clientes.

    As ferramentas mais resilientes são aquelas que levam em conta que este tipo de ataque pode acontecer e que são desenhadas para se defender contra isto. Procure por declarações que assegurem que o criador não pode ter acesso a dados privados ao invés de afirmações que dizem que o criador não irá acessá-los. Procure por instituições com fama de se recusar a cumprir decisões judiciais que exigem o fornecimento de dados pessoais de seus usuários.

    Ela passou por recall ou foi criticada online?

    Empresas vendendo seus produtos e entusiastas fazendo propaganda de seus softwares mais recentes podem ser enganados, podem ser enganosos ou podem até mesmo mentir descaradamente. Um produto que originariamente era seguro pode ter falhas terríveis no futuro. Certifique-se de que você está sempre bem informado sobre as últimas notícias a respeito das ferramentas que você usa.

    Manter-se atualizado acerca de todas as novidades de uma ferramenta é trabalho demais para uma pessoa só. Se você tem colegas que usam um produto ou serviço específico, trabalhe em conjunto com eles para se manter informado.

    Qual telefone eu deveria comprar? E qual computador?

    Instrutores de segurança recebem as seguintes perguntas com frequência: “Eu deveria comprar um celular Android ou um iPhone?”, “Eu deveria usar um PC ou um Mac?” ou “Qual sistema operacional eu deveria usar?” Não existem respostas fáceis para essas perguntas. A segurança relativa de softwares e dispositivos está em constante mudança, na medida em que novas falhas são descobertas e bugs antigos são consertados. As empresas podem competir entre si para fornecer melhores mecanismos de segurança para seus usuários ou todas elas podem estar sob pressão dos governos para enfraquecer essa segurança.

    No entanto, algumas destas recomendações gerais são sempre verdadeiras. Quando você compra um dispositivo ou um sistema operacional, mantenha-o sempre em dia com as atualizações de software. As atualizações geralmente consertam problemas de segurança do código antigo que poderiam ser explorados por invasores. É importante notar que alguns telefones e sistemas operacionais mais antigos podem não ser mais suportados, mesmo no caso de atualizações de segurança. Em particular, a Microsoft deixou claro que as versões do Windows Vista, XP e anteriores não vão receber correções mesmo quando se tratar de problemas sérios de segurança. Isto significa que, se você usa alguma dessas versões, você não pode esperar que elas estejam protegidas contra invasores. A mesma coisa vale para o OS X anterior a 10.11 ou El Capitan.

    Agora que você já levou em consideração as ameaças que enfrenta e que você já sabe o que procurar numa ferramenta de segurança digital, você pode ter mais confiança ao escolher as ferramentas mais apropriadas à sua situação específica.

    Produtos mencionados em ‘Autodefesa contra vigilância’ [Surveillance Self-Defense]

    Nós procuramos assegurar que os softwares e hardwares mencionados neste guia atendam aos critérios listados acima. Nós fizemos um esforço de boa fé para listar apenas produtos que:

    • têm uma base sólida no que diz respeito ao que nós sabemos sobre segurança digital atualmente,
    • em geral são transparentes sobre seu funcionamento (e sobre suas falhas),
    • têm defesas contra a possibilidade de que os próprios criadores se vejam comprometidos e
    • têm manutenção constante, com uma grande base de usuários com bons conhecimentos de tecnologia.

    Nós acreditamos que, no momento em que escrevemos este guia, esses produtos têm uma ampla audiência que está examinando os softwares e hardwares, procurando encontrar falhas, e, caso estas fragilidades sejam encontradas, essa audiência traria rapidamente suas preocupações a público. Por favor, compreenda que nós não temos recursos para examinar ou para dar garantias independentes sobre a segurança de cada um deles. Nós não estamos endossando esses produtos e não podemos garantir que eles sejam completamente seguros.

    Última revisão: 
    29-10-2018
  • Como se proteger nas redes sociais

    As redes sociais estão entre os sites mais populares na internet. O Facebook tem mais de um bilhão de usuários e o Instagram e o Twitter têm centenas de milhões de usuários cada um. De maneira geral, as redes sociais foram criadas a partir da ideia do compartilhamento de publicações, fotos e informação pessoal. Agora, elas também se tornaram fóruns de organização e discussão. Qualquer uma destas atividades pode ter por base a privacidade e o uso de pseudônimos.

    Assim, é importante levar as seguintes questões em consideração quando utilizamos redes sociais: Como posso interagir com estes sites protegendo ao mesmo tempo em que me protejo deles? Minha privacidade básica? Minha identidade? Meus contatos e associações? Que informações quero manter privadas e quem será excluído do acesso a elas?

    Dependendo das circunstâncias, pode ser que você precise se proteger da própria rede social, de outros usuários ou de ambos.

    Dicas para levar em conta quando criar uma conta em redes sociais

    • Você quer usar seu nome verdadeiro? Algumas redes sociais têm as assim chamadas “políticas de nome verdadeiro”, mas têm-se tornado menos rigorosas com o passar do tempo. Se você não quiser usar seu nome verdadeiro quando se registra numa rede social, então não o faça.
    • Ao se registrar, não dê mais informações do que é necessário. Se você está preocupado em esconder sua identidade, use um endereço de e-mail diferente e evite informar seu número de telefone. Estas duas informações podem identificá-lo invidualmente e podem associá-lo a diversas outras contas.
    • Seja cuidadoso quando escolher uma foto ou imagem de perfil. Além dos metadados da imagem, que podem incluir o local e a hora em que a foto foi tirada, a própria imagem pode fornecer informações. Antes de escolher a foto de perfil, pergunte a si mesmo: foi tirada na frente de sua casa ou do seu local de trabalho? Há algum endereço ou placas de trânsito visível na imagem, que possa permitir identificação?
    • Saiba que seu endereço de IP pode estar logado no momento em que você se registra.
    • Escolha uma senha forte e, se possível, ative autenticação de dois fatores.
    • Esteja atento às questões de segurança para a recuperação da senha, tais como “Em que cidade você nasceu?” ou “Qual o nome do seu animal de estimação?”, pois estas respostas podem ser extraídas dos detalhes disponibilizados em seus perfis de redes sociais. É recomendável dar respostas falsas às questões de segurança. Caso você escolha dar respostas falsas para ter ainda mais segurança, uma boa maneira de se lembrar das respostas é anotar suas respostas e armazená-las num gerenciador de senhas.

    Verifique a política de privacidade da rede social

    As informações armazenadas por terceiros estão sujeitas às suas próprias políticas e podem ser utilizadas para propósitos comerciais ou compartilhadas com outras empresas, tais como empresas de marketing. Ainda que ler as políticas de privacidade seja uma tarefa praticamente impossível, é importante que você leia as seções que descrevem como os dados são usados, quando são compartilhados com terceiros e como o serviço responde a demandas de autoridades legais.

    Redes sociais são, de maneira geral, empresas com fins lucrativos e frequentemente recolhem informações sensíveis para além daquelas que você forneceu explicitamente – onde você está, a quais interesses e anúncios você reage, que outros sites você visita (por exemplo, por meio do botão “curtir”). Considere bloquear cookies de terceiros e usar as extensões de bloqueio do rastreamento do navegador para garantir que as informações não estão sendo passivamente transmitidas a terceiros.

    Altere as configurações de privacidade

    Especificamente, altere as configurações padrão. Por exemplo: você quer compartilhar as suas postagens com o público ou apenas com um grupo específico de pessoas? As pessoas podem encontrá-lo usando seu endereço de e-mail ou seu número de telefone? Você quer que a sua localização seja compartilhada automaticamente?

    Ainda que cada rede social tenha suas próprias configurações únicas, é possível perceber alguns padrões.

    • Configurações de privacidade tendem a responder à questão: “Quem pode ver o quê?” Nesta seção, você provavelmente vai encontrar configurações relacionadas a pré-determinações da audiência (“público”, “amigos de amigos”, “apenas amigos apenas” etc. ), localização, fotos, informações de contato, tagging e se e como as pessoas podem encontrar seu perfil nas buscas.
    • Configurações de segurança provavelmente estarão mais relacionadas a bloquear ou silenciar outras contas e a se e como você quer ser notificado caso haja uma tentativa não autorizada de entrar na sua conta. Às vezes você vai encontrar configurações de login nessa seção – tais como a autenticação de dois fatores e um e-mail ou número de telefone para back-up. Outras vezes, essas configurações de login poderão ser encontradas nas seções de configuração da conta ou de login, junto com as opções para alterar sua senha.

    Aproveite os check-upsde privacidade e segurança. O Facebook, o Google e outros sites grandes oferecem dispositivos de “check-up de segurança”. Estes guias, formatados no estilo de tutoriais, oferecem orientação, explicando as configurações mais comuns de privacidade e segurança ao usuário com uma linguagem simples. São uma excelente funcionalidade aos usuários.

    Por fim, lembre-se que as configurações de privacidade estão sujeitas a mudanças. Por vezes, estas configurações se tornam melhores e mais detalhadas; por vezes, não. Preste atenção a estas mudanças para ver se qualquer informação que antes era privada passa a ser passível de ser compartilhada publicamente. Também fique atento a quaisquer configurações adicionais que lhe permitam ter mais controle sobre sua privacidade.

    Mantenha perfis separados

    Para muitos de nós, manter separadas as identidades de contas diferentes é fundamental. Isto pode se aplicar a sites de namoro e paquera, a perfis profissionais, a contas anônimas e a contas em várias comunidades.

    Números de telefone e fotos são os dois tipos de infomação a que se deve prestar mais atenção. Em particular, fotos podem sorrateiramente vincular contas que você pretendia que ficassem separadas. Isto é muito comum entre sites de namoro e paquera e perfis profissionais. Se você quer manter seu anonimato ou manter uma certa identidade separada de outras, use uma foto ou imagem que você não usa em qualquer outro lugar online. Para verificar, você pode usar a funcionalidade “reverse image search” [“busca reversa de imagens”] do Google. Outras variáveis que podem vincular as identidades são seu nome (ou mesmo apelidos) e seu e-mail. Se descobrir algum desses nomes num lugar onde não deveriam estar, não entre em pânico ou fique assustado. Em vez disso, pensa em pequenos passos: em vez de tentar fazer com que toda a informação sobre você desapareça da internet, foque em informações específicas, onde elas estão e o que você pode fazer em relação a elas.

    Familiarize-se com as configurações de grupos no Facebook

    Grupos de Facebook  são, cada vez mais, espaços para ação social e para outras atividades potencialmente sensíveis. As configurações dos grupos podem ser confusas. Informe-se mais sobre as configurações dos grupos e, se os participantes estão interessados em aprender mais sobre as configurações de grupo, trabalhe em conjunto com eles para manter seus grupos de Facebook privados e seguros.

    Privacidade é um esporte em equipe

    Não mude apenas as suas próprias configurações e o seu próprio comportamento nas redes sociais. Dê um passo além e converse com seus amigos sobre os dados potencialmente sensíveis que cada um revela sobre demais online. Mesmo que você não tenha uma conta numa rede social ou mesmo que remova o seu tag das postagens, ainda assim seus amigos podem identificá-lo, indicar sua localização e expor as conexões que têm com você, mesmo que não tenham a intenção de fazê-lo. Proteger a privacidade não significa apenas termos cuidado conosco, mas também cuidarmos de todos à nossa volta.

    Última revisão: 
    30-10-2018
  • Avaliando Seus Riscos

    Tentar proteger todos os seus dados de todas as pessoas e todo o tempo é impraticável e extremamente cansativo. Mas não se preocupe! Segurança é um processo, e através de planejamento cuidadoso você pode avaliar o que é o ideal para você. Segurança não se trata das ferramentas que você utiliza ou dos programas que baixa, ela começa com a compreensão de quais são as ameaças específicas que você enfrenta e como você pode combatê-las.

    Em segurança da informação, uma ameaça é um evento potencial que pode tornar menos efetivos os esforços que você faz para defender seus dados. Você pode combater as ameaças que enfrenta ao entender que coisas precisa proteger, bem como de quem precisa protegê-las. Este processo é chamado de modelagem de ameaças.

    Este guia o ensinará como modelar ameaças, ou como avaliar os riscos aos quais suas informações digitais estão expostos e determinar quais as melhores soluções para você.

    Como é o processo de modelagem de ameaças? Vamos dizer que você deseja manter sua casa e seus bens seguros... Aqui estão algumas perguntas que você pode querer se fazer:

    O que eu tenho dentro da minha casa merece ser protegido?

    • Ativos podem incluir jóias, eletrônicos, documentos financeiros, passaportes ou fotos.

    De quem eu quero proteger estes ativos?

    • Adversários podem incluir: ladrões, colegas de quarto e visitas.

    O quão provável é que eu precise proteger estes ativos?

    • Minha vizinhança tem um histórico de roubos? O quão confiável são meus colegas de quarto/visitas? Quais são os recursos de meus adversários? Que riscos eu devo considerar?

    O quão graves serão as consequências caso eu falhe?

    • Eu tenho alguma coisa na minha casa que eu não tenha como repor? Eu tenho tempo ou dinheiro para repor ativos? Eu tenho um seguro que cubra ativos roubados da minha casa?

    Até onde eu estou disposto a ir para me prevenir destas consequências?

    • Eu estou disposto a comprar um cofre para documentos importantes? Eu tenho recursos para comprar uma fechadura de alta qualidade? Tenho tempo para alugar um cofre no meu banco e manter meus objetos de valor neste cofre?

    Uma vez que você tenha se feito estas perguntas, você estará em condições de avaliar que medidas deve tomar. Se suas posses são valiosas mas o risco de um roubo à sua casa é baixo, então talvez você decida não investir muito dinheiro em uma fechadura. Por outro lado, se o risco for alto você desejará comprar a melhor fechadura do mercado e ainda instalar um sistema de segurança.

    Construir um modelo de ameaça o ajudará a entender as ameaças específicas que você corre e a avaliar seus ativos, seus adversários e os recursos que estes adversários possuem, bem como a probabilidade de que tais riscos se tornem realidade.

    O que é modelagem de ameaças e por onde eu começo?

    A modelagem de ameaças o ajuda a identificar ameaças às coisas que você dá valor e determinar de quem precisa protegê-las. Quando estiver construindo um modelo de ameaça, responda a estas cinco perguntas:

    1. Que coisas eu quero proteger?
    2. De quem eu quero protegê-las?
    3. O quão graves serão as consequências caso eu falhe?
    4. O quão provável é que eu precise protegê-las?
    5. Até onde eu estou disposto a ir para tentar evitar potenciais consequências?

    Vamos avaliar uma a uma estas perguntas.

    Que coisas eu quero proteger?

    Um “ativo” é algo ao qual você dá valor e que deseja proteger. No contexto de segurança digital, um ativo é normalmente algum tipo de informação. Por exemplo: seus e-mails, lista de contatos, mensagens instantâneas e arquivos são todos possíveis ativos. Seus dispositivos também podem ser ativos.

    Faça uma lista de seus ativos: dados que você mantém, onde eles são mantidos, quem tem acesso a eles, e o que impede que outros os acessem.

    De quem eu quero protegê-las?

    Para responder a esta pergunta, é importante identificar quem pode ter você ou suas informações como alvo. Uma pessoa ou entidade que represente uma ameaça aos seus ativos é um “adversário”. Exemplos de potenciais adversários são seu chefe, seu ex-cônjuge ou ex-namorado(a), seu concorrente, seu governo, ou um hacker numa rede pública.

    Faça uma lista de seus adversários, ou daqueles que possam ter interesse em ter acesso aos seus dados. Sua lista pode incluir pessoas, agências governamentais ou empresas.

    Dependendo de quem sejam seus adversários, em alguns casos esta lista pode se tornar algo que você queira destruir após terminar sua modelagem de ameaça.

    O quão graves serão as consequências caso eu falhe?

    Existem diversas formas pelas quais um adversário pode ameaçar seus dados. Por exemplo, um adversário pode ler suas comunicações pessoais enquanto tem acesso à rede, ou pode apagar ou corromper seus dados.

    Os objetivos dos adversários diferem enormemente, assim como seus ataques. Um governo tentando evitar a disseminação de um vídeo que mostra violência policial pode se satisfazer simplesmente apagando ou reduzindo a disponibilidade deste vídeo. Por outro lado, um adversário político pode querer ter acesso a conteúdos secretos e publicar este conteúdo sem que você saiba.

    A modelagem de ameaças envolve compreender o quão graves as consequências podem ser caso um adversário ataque com sucesso um de seus ativos. Para chegar a esta conclusão, você deve levar em conta os recursos dos quais seu adversário dispõe. Por exemplo, sua operadora de telefonia móvel tem acesso a todas as suas ligações e, consequentemente, a capacidade de usar estes dados contra você; um hacker numa rede Wi-Fi aberta pode acessar suas comunicações não criptografadas; já seu governo pode ter recursos ainda mais abrangentes.

    Coloque num papel o que o seu adversário pode querer fazer com seus dados privados.

    O quão provável é que eu precise protegê-las?

    Risco é a probabilidade de que uma ameaça específica contra um ativo específico efetivamente venha a se concretizar. Ele é sempre proporcional à capacidade. Apesar de sua operadora de telefonia celular ter a capacidade de acessar todos os seus dados, o risco de que ela poste seus dados online para prejudicar sua reputação é baixo.

    É importante distinguir entre ameaças e riscos. Enquanto uma ameaça é algo ruim que pode ocorrer, risco é a probabilidade de que esta ameaça seja levada a termo. Por exemplo, sempre há a ameaça de que seu prédio possa desmoronar, mas o risco de isso acontecer é bem maior em São Francisco (onde terremotos são comuns) do que em Estocolmo (onde eles não são).

    Efetuar uma análise de risco é ao mesmo tempo um processo pessoal e subjetivo: nem todas as pessoas têm as mesmas prioridades ou enxergam ameaças da mesma forma. Muitas pessoas acham certas ameaças inaceitáveis, independente do risco delas ocorrerem, porque a mera presença da ameaça, por menor que seja o risco, não compensa. Em outros casos, pessoas desprezam riscos altos porque não veem a ameaça como um problema.

    Coloque num papel quais ameaças você deseja levar a sério, e quais são tão raras ou tão sem consequências (ou difíceis de combater) que não vale à pena se preocupar.

    Até onde eu estou disposto a ir para tentar evitar potenciais consequências?

    Responder a esta pergunta requer a condução da análise de riscos. Nem todas as pessoas têm as mesmas prioridades ou enxergar as ameaças da mesma maneira.

    Por exemplo, um advogado que representa um cliente em um caso de segurança nacional estará provavelmente disposto a utilizar mais recursos para proteger as comunicações sobre o caso, como por exemplo utilizar e-mails criptografados, do que uma mãe que regularmente envia à sua filha e-mails com vídeos engraçados de gatos.

    Coloque num papel as opções disponíveis para ajudá-lo a atenuar as ameaças que você enfrenta pessoalmente. Leve em conta suas restrições de orçamento, técnicas, ou sociais.

    Modelagem de ameaças como uma prática regular

    Tenha em mente que seu modelo de ameaça pode mudar de acordo com a mudança da sua situação pessoal. Desta maneira, conduzir modelagens de ameaça frequentes é uma boa prática.

    Crie seu próprio modelo de ameaça baseado em sua situação única. Feito isso, marque em sua agenda uma data no futuro para rever este modelo de ameaça e verificar se ele ainda se enquadra na sua situação.

    Última revisão: 
    07-09-2017
  • Comunicando-se com outros

    As redes de telecomunicação e a internet tornaram a comunicação entre as pessoas mais fácil do que nunca, mas também permitiram que a vigilância se tornasse mais predominante do que jamais se viu na história da humanidade. Cada telefonema, mensagem de texto, e-mail, mensagem instantânea, ligação de voz sobre IP (VoIP), vídeo chat e mensagem de redes sociais podem ser vulneráveis a intrusos, caso não se tome medidas adicionais para proteger sua privacidade.



    Na maioria das vezes, a maneira mais segura de se comunicar com outras pessoas é pessoalmente, sem a presença de computadores ou telefones. Uma vez que isso nem sempre é possível, o melhor a ser feito é utilizar a criptografia ponto a ponto, caso precise proteger o conteúdo de suas comunicações quando se comunicar por meio de uma rede.

    Como funciona a criptografia ponto a ponto?

    Quando duas pessoas querem se comunicar de modo seguro (por exemplo, a Akiko e o Boris), elas precisam gerar individualmente chaves de criptografia. Antes da Akiko enviar uma mensagem para o Boris, ela criptografa a chave dele para que somente o Boris possa decifrá-la. Então ela envia a mensagem já criptografada pela internet. Se alguém estiver espionando a Akiko e o Boris, mesmo que tenha acesso ao serviço que ela está utilizando para enviar essa mensagem (como a sua conta de e-mail), esta pessoa apenas verá os dados criptografados, mas não conseguirá ler a mensagem. Quando o Boris recebê-la, deve utilizar sua chave para descriptografá-la, tornando-a legível.



    A criptografia ponto a ponto requer algum sacrifício, mas é a única maneira dos usuários verificarem a segurança das suas comunicações, sem ter de confiar na plataforma que estão utilizando. Alguns serviços, como o Skype, afirmam que oferecem a criptografia ponto a ponto, mas, ao que parece, não a fazem. Para que a criptografia ponto a ponto seja segura, os usuários devem verificar se a chave que está criptografando as mensagens pertence à pessoa que eles acreditam que a criaram. Se o software de comunicação não tem essa capacidade integrada, então qualquer mensagem criptografada poderia, por exemplo, ser interceptada pelo próprio provedor de serviços, caso algum governo o obrigue a isso.

    Você pode ler o informativo Encryption Works (Funcionamento da Criptografia), da Freedom of the Press Foundation (Fundação para a Liberdade de Imprensa), para obter instruções detalhadas sobre como utilizar a criptografia ponto a ponto para proteger suas mensagens instantâneas e e-mails. Confira também os seguintes módulos da SSD:

    Chamadas de voz

    Quando você faz uma ligação por telefone fixo ou celular, sua chamada não é criptografada ponto a ponto. Se estiver utilizando um aparelho móvel, a ligação pode ser (tenuemente) criptografada entre o seu celular e as torres de telefonia. No entanto, como sua conversa viaja pela rede de transmissão, ela é vulnerável à interceptação pela sua companhia telefônica e extensivamente por todos os governos ou organizações que têm poder sobre a sua empresa de telefonia. A maneira mais fácil de garantir que você tenha a criptografia ponto a ponto nas conversas de voz é utilizar o VoIP.

    Cuidado! A maioria dos provedores de VoIP, como o Skype e o Google Hangouts, oferecem criptografia em trânsito, de modo que os espiões não podem ouvi-las, porém seus próprios provedores ainda têm potencial de escutá-las. Isso pode ou não ser um problema, dependendo do seu modelo de ameaça.

    Dentre alguns serviços que oferecem a criptografia ponto a ponto nas chamadas por VoIP, incluem-se:

    Para ter conversas de VoIP criptografadas ponto a ponto, ambos devem utilizar o mesmo software (ou compatível).

    Mensagens de texto

    As mensagens de texto padrões (SMS) não dispõem de criptografia ponto a ponto. Se você quer enviar mensagens criptografadas pelo seu telefone, considere utilizar um software de mensagens instantâneas criptografadas em vez de mensagens de texto SMS.

    Alguns serviços de mensagens instantâneas criptografadas ponto a ponto utilizam seu próprio protocolo. Então, por exemplo, os usuários do Signal, no Android e no iOS, podem conversar de modo seguro com outras pessoas que utilizam esses programas. O ChatSecure é um aplicativo móvel que criptografa conversas com o OTR em qualquer rede que usa o XMPP, significando que você pode escolher dentre os serviços, independentes de mensagens instantâneas.

    Mensagens instantâneas

    O Off-the-Record (OTR) (Fora da Banda) é um protocolo de criptografia ponto a ponto para mensagens de texto em tempo real, o qual pode ser utilizado no topo de uma série de serviços.

    Dentre algumas ferramentas que incorporam o OTR nas mensagens instantâneas, incluem-se:

    Email

    A maioria dos provedores de e-mail proporciona uma maneira de você acessá-los utilizando um navegador da Web, como o Firefox ou o Chrome. A maioria desses provedores suporta o protocolo HTTPS ou a criptografia de camada de transporte (do inglês transport-layer encryption). Você pode verificar se o seu provedor de e-mail suporta o protocolo HTTPS, acessando o seu webmail e conferindo se a URL no topo do seu navegador começa com as letras HTTPS em vez de HTTP (por exemplo: https://mail.google.com).

    Caso o seu provedor de e-mail suporte o HTTPS, mas não o faz por padrão, tente substituir o HTTP pelo HTTPS na URL e atualizar a página. Caso queira ter a certeza de sempre estar utilizando o protocolo HTTPS nos sites onde estiver disponível, faça o download do complemento do navegador HTTPS Everywhere, no Firefox ou no Chrome.

    Dentre alguns provedores de webmail que utilizam o protocolo HTTPS por padrão, incluem-se:

    • Gmail
    • Riseup
    • Yahoo

    Alguns provedores de webmail dão a opção de escolher utilizar o HTTPS por padrão, selecionando-o em suas configurações. O serviço mais popular, que ainda faz isso, é o Hotmail.



    O que faz a criptografia de camada de transporte (do inglês transport-layer encryption) e por que você precisa dela? O HTTPS, também referido como SSL ou TLS, criptografa suas comunicações de modo que elas não possam ser lidas por outras pessoas na sua rede. Isso pode incluir as que estão utilizando a mesma rede Wi-Fi em um aeroporto ou em uma cafeteria, no seu escritório ou na escola, os administradores de seu ISP, hackers maliciosos, agentes da lei ou do governo. As comunicações enviadas pelo seu navegador da Web, incluindo as páginas que você visita e o conteúdo de seus e-mails, postagens e mensagens, utilizando o protocolo HTTP em vez do HTTPS são de pouca importância para um oponente interceptá-las e lê-las.

    O HTTPS é o nível mais básico de criptografia para sua navegação na Web e é recomendado a todos. Ele é tão básico quanto colocar o cinto de segurança ao dirigir.



    Mas há algumas coisas que o HTTPS não faz. Quando você envia um e-mail utilizando o HTTPS, o seu provedor de e-mail ainda recebe uma cópia não criptografada da sua comunicação. Os governos e os agentes de aplicação da lei podem obter um mandato para acessar esses dados. Nos Estados Unidos, a maioria dos provedores de e-mail têm uma política que informa quando essas empresas receberem uma solicitação do governo, para que cedam os dados do usuário, desde que estejam legalmente autorizados a fazê-lo. Essas políticas, porém, são estritamente voluntárias e, em muitos casos, os provedores estão legalmente impedidos de informar essas solicitações de dados aos seus usuários. Alguns provedores de e-mail, como o Google, Yahoo e Microsoft, publicam relatórios de transparência, detalhando o número de solicitações que recebem do governo sobre os dados dos usuários, quais países fazem esses pedidos e quantas vezes a empresa cedeu essas informações.



    Se o seu modelo de ameaça inclui um governo ou agentes de aplicação da lei, ou se você tem alguma outra razão para assegurar que seu provedor de e-mail não possa ceder o conteúdo de suas comunicações por e-mail a um terceiro, considere utilizar a criptografia ponto a ponto nas suas comunicações por e-mail.

    A PGP (do inglês Pretty Good Privacy, que significa uma Privacidade Muito Boa) é um padrão para a criptografia ponto a ponto do seu e-mail. Utilizada corretamente, ela oferece proteções muito fortes às suas comunicações. Para instruções detalhadas de como instalar e utilizar a criptografia PGP para o seu e-mail, consulte os guias de:

    O que a criptografia ponto a ponto não faz?

    A criptografia ponto a ponto protege apenas o conteúdo das suas comunicações e não o fato da comunicação em si. Ela não protege os seus metadados - que é todo o restante, incluindo a linha de assunto do seu e-mail ou com quem e quando você está se comunicando.



    Os metadados podem fornecer informações extremamente reveladoras sobre você, mesmo quando o conteúdo de sua comunicação permanece secreto.



    Os metadados das suas chamadas telefônicas podem fornecer algumas informações muito íntimas e confidenciais. Por exemplo:

    • Eles sabem que você ligou para um serviço de sexo por telefone às 2h24 e falou durante 18 minutos. Eles só não sabem o foi dito por você.
    • Eles sabem que você telefonou da Ponte Golden Gate para o número de atendimento à prevenção de suicídio, mas o tema da chamada permanece em segredo.
    • Eles sabem que você falou com um serviço de testes de HIV, em seguida falou com o seu médico e depois, na mesma hora, falou com a sua seguradora de saúde; porém, eles não sabem o que foi conversado.
    • Eles sabem que você recebeu uma chamada do escritório local da NRA (em inglês National Rifle Association, que é a Associação Nacional de Rifles) enquanto estava tendo uma campanha contra a legislação de armas e, a seguir, ligou imediatamente para os seus senadores e representantes do Congresso, mas o conteúdo dessas chamadas continua sendo protegido contra a intromissão do governo.
    • Eles sabem que você telefonou para um ginecologista, falou durante meia hora e mais tarde, naquele mesmo dia, ligou para o escritório local da ONG de planejamento familiar Planned Parenthood, mas ninguém sabe sobre o que você conversou.

    Se você estiver ligando de um telefone celular, as informações da sua localização são metadados. Em 2009, o político Malte Spitz, do Partido Verde, processou a Deutsche Telekom para forçá-los a entregar seis meses de dados do telefone de Spitz, os quais ele disponibilizou para um jornal alemão. A visualização resultante mostrou um histórico detalhado dos movimentos dele.

    Proteger seus metadados requer que utilize outras ferramentas, como o Tor, ao mesmo tempo que usa a criptografia ponto a ponto.



    Para se ter um exemplo de como o Tor e o HTTPS trabalham em conjunto para proteger o conteúdo de suas comunicações e de seus metadados de uma variedade de potenciais invasores, leia esta explicação.

    Última revisão: 
    12-01-2017
  • Criando senhas fortes

    Reutilizar senhas é uma prática excepcionalmente ruim do ponto de vista da segurança. Se um invasor tiver acesso a uma senha que você tenha reutilizado em diversos serviços diferentes, ele poderá ter acesso a muitas de suas contas. É por isso que é tão importante ter senhas fortes, únicas e distintas.

    Felizmente, um gerenciador de senhas pode ajudar. Gerenciadores de senhas são ferramentas que criam e armazenam senhas para você, de maneira que você possa utilizar senhas diferentes para cada site ou serviço sem precisar memorizá-las. Gerenciadores de senhas:

    • geram senhas fortes que um ser humano dificilmente poderá adivinhar.
    • armazenam diversas senhas de maneira segura (e também as respostas para perguntas de segurança).
    • protegem todas as suas senhas com uma única senha-mestre (ou frase-chave).

    O KeePassXC é um exemplo de gerenciador de senhas com fonte aberta e gratuito. Você pode manter esta ferramenta em seu desktop ou integrá-lo ao seu navegador de internet. O KeePassXC não salva automaticamente as alterações que você faz quando o utiliza, portanto se ele apresentar um erro e fechar inesperadamente você perderá para sempre as senhas que tiver adicionado desde que o abriu. Isto pode ser alterado nas configurações do programa.

    Você está se perguntando se um gerenciador de senha é a ferramenta certa para você? Se você for alvo de um adversário poderoso, como um governo, pode ser que não seja.

    Lembre-se:

    • utilizar um gerenciador de senhas cria um ponto de falha centralizado.
    • gerenciadores de senhas são um alvo óbvio para adversários.
    • pesquisas sugerem que diversos gerenciadores de senha têm vulnerabilidades.

    Se você está preocupado com ataques digitais poderosos, considere algo menos tecnológico. Você pode criar senhas fortes manualmente (veja “Criando senhas fortes usando dados de números” abaixo), anotá-las em um papel e guardá-las em algum lugar seguro consigo próprio.

    Mas espere: não devemos sempre guardar as senhas de cor e jamais anotá-las? Na verdade, escrevê-las e guardá-las na sua carteira, por exemplo, pode ser útil para que ao menos você saiba se elas desaparecerem ou forem roubadas.

    Criando senhas fortes usando dados numéricos

    Há algumas senhas que você deve memorizar e que precisam ser particularmente fortes. Por exemplo:

    Uma das muitas dificuldades que ocorrem quando as pessoas escolhem senhas por si mesmas é que seres humanos não são muitos bons em fazer escolhas aleatórias e imprevisíveis. Uma forma eficiente de criar uma senha forte e que possa ser memorizada é utilizar dados numéricos e uma lista de palavras para escolher palavras de maneira aleatória. Juntas, estas palavras formarão sua “frase-chave”. Uma “frase-chave” é um tipo de senha mais comprida, com o objetivo de ser mais segura. Para criptografia de discos inteiros e para seu gerenciador de senhas, recomendamos escolher um mínimo de seis palavras.

    Por que utilizar um mínimo de seis palavras? Por que usar um dado numérico para escolher palavras aleatoriamente numa frase? Quanto mais comprida e mais aleatória for a senha, mais difícil será para computadores e humanos adivinhá-las. Para entender porque você precisa de uma senha tão comprida e forte assim, aqui está uma explicação em vídeo (em inglês).

    Tente criar uma frase-senha utilizando uma das listas de palavras da EFF.

    Se o seu computador ou dispositivo for comprometido e tiver spyware instalado, o spyware pode monitorar a digitação de sua senha-mestre e roubar o conteúdo do seu gerenciador de senhas. Desta maneira, continua sendo muito importante manter seu computador e outros dispositivos livres de malware quando estiver usando um gerenciador de senhas.

    Um pouco sobre “perguntas de segurança”

    Cuidado com as “perguntas de segurança” que sites utilizam para confirmar sua identidade. Respostas honestas a estas perguntas muitas vezes são fatos públicos fáces de descobrir e que um determinado adversário pode encontrar facilmente e utilizá-las para acessar sua conta sem nem mesmo saber sua senha.

    Ao invés disso, dê a estas perguntas respostas fictícias e que ninguém mais saberá, exceto você. Por exemplo, se a pergunta for:

    “Qual era o nome de seu primeiro animal de estimação?”

    Sua resposta pode ser uma senha aleatória gerada pelo seu gerenciador de senhas. Você pode armazenar estas respostas fictícias no próprio gerenciador de senhas.

    Tente lembrar dos sites em que você utilizou perguntas de segurança e considere alterar as respostas. Nunca utilize as mesmas senhas ou respostas às perguntas de segurança para diversas contas em sites ou serviços diferentes.

    Sincronizando suas senhas em diversos dispositivos

    Diversos gerenciadores de senhas permitem que você acesse suas senhas em múltiplos dispositivos através de um recurso de sincronização de senhas. Isso significa que quando você sincronizar seu arquivo de senhas em um dispositivo, ela será atualizada em todos os outros.

    Gerenciadores de senhas podem armazenar suas senhas “na nuvem”, ou seja, criptografadas em um servidor remoto. Quando você precisar das suas senhas, estes gerenciadores vão recuperá-las e decriptá-las automaticamente para você. Gerenciadores de senhas que utilizam seus próprios servidores para armazenar ou sincronizar suas senhas são mais convenientes, mas ligeiramente mais vulneráveis a ataques. Se suas senhas forem armazenadas tanto em seu computador quando na nuvem, um atacante não precisará ter acesso ao seu computador para descobrir suas senhas (embora ainda assim tenha que descobrir a frase-chave do seu gerenciador de senhas).

    Se isso o preocupa, não sincronize suas senhas para a nuvem e, em vez disso, opte por armazená-las apenas em seus dispositivos.

    Por segurança, mantenha um backup de seu banco de dados de senhas. Ter um backup é útil caso você perca seu banco de dados devido a problemas em seu computador, ou caso seu dispositivo seja tomado de você. Gerenciadores de senhas normalmente possuem uma maneira de criar um arquivo de backup ou você pode utilizar seu programa padrão de backup.

    Autenticação de múltiplos fatores e senhas de uso único

    Senhas fortes e únicas tornam muito mais difícil para que atacantes tenham acesso às suas contas. Para protegê-las ainda mais, utilize autenticação de dois fatores.

    Alguns serviços oferecem autenticação de dois fatores (também chamada de 2FA, autenticação de múltiplos fatores, ou verificação em dois passos), que requer que você possua dois componentes distintos (uma senha e um segundo fator) para ter acesso a sua conta. O segundo fator pode ser um código secreto de uso único ou um número gerado por um programa executado em um dispositivo móvel.

    A autenticação de dois fatores em um telefone celular pode ser feita de duas formas:

    • seu telefone pode rodar um aplicativo que gera códigos de segurança (como o Google Authenticator ou o Authy) ou você pode utilizar um dispositivo de hardware em separado (como uma YubiKey); ou
    • o serviço pode enviar a você uma mensagem de texto SMS contendo um código extra de segurança que você precisará digitar sempre que desejar acessá-lo.

    Se você puder escolher, prefira a aplicação de autenticação no celular (ou o dispositivo de hardware à parte) em vez de receber códigos por mensagens de texto. É mais fácil para um atacante redirecionar estes códigos para seu próprio telefone do que conseguir burlar o autenticador.

    Alguns serviços, como o Google, também permitem que você gere uma lista de senhas de uso único. Estas senhas podem ser impressas ou anotadas em papel e levadas com você. Cada uma delas funciona apenas uma vez, portanto se uma for roubada por um spyware quando você a digitar, o ladrão não poderá utilizá-la para nada no futuro.

    Se você ou sua organização mantém sua própria infraestrutura de comunicações, existem softwares gratuitos que podem ser utilizados para implementar a autenticação de dois fatores para acessar seus sistemas. Procure por softwares que ofereçam implementações do padrão aberto “Time-Based One-Time Passwords” ou RFC 6238.

    Às vezes, você precisará informar sua senha a terceiros

    As leis que tratam sobre revelar senhas diferem de um lugar para outro. Em algumas jurisdições você pode questionar uma ordem para revelar sua senha na justiça, enquanto em outras, as leis locais permitem que o governo obrigue a revelá-la – e o governo pode até mesmo prendê-lo pela suspeita de que você saiba uma determinada senha. Ameaças de violência física também podem ser usadas para forçar alguém a revelar sua senha. Você pode ainda se ver em uma situação, como por exemplo quando estiver atravessando uma fronteira entre nações, na qual autoridades podem retê-lo ou confiscar seus dispositivos caso você se recuse a fornecer uma senha ou desbloquear seu dispositivo.

    Nós temos um guia em separado sobre atravessar a fronteira dos Estados Unidos, dando conselhos sobre como lidar com solicitações para acessar dispositivos quando estiver viajando para ou a partir dos EUA. Em outras situações, você deve considerar de que forma alguém poderá forçar você ou outros a fornecer suas senhas, e quais serão as consequências disso.

    Última revisão: 
    29-10-2018
  • Mantendo seus dados seguros

    Se você tem um smartphone, laptop ou tablet, você carrega com você uma enorme quantidade de dados o tempo todo. Seus contatos pessoais, suas comunicações privadas, documentos e fotos pessoais (muitos dos quais podem conter informações confidenciais de dúzias ou mesmo de milhares de pessoas) são apenas alguns dos exemplos de coisas que você pode armazenar nos seus dispositivos digitais. Como armazenamos e carregamos conosco tantos dados, pode ser difícil mantê-los seguros – especialmente porque eles podem ser retirados de você com relativa facilidade.

    Seus dados podem ser confiscados na fronteira, tomados de você na rua ou roubados da sua casa e copiados em segundos. Infelizmente, proteger seu dispositivo com senhas, PINs ou gestos pode não proteger seus dados caso o dispositivo em si seja levado por outra pessoa. É relativamente simples contornar este tipo de proteção porque seus dados estão armazenados de forma relativamente simples de ser lida dentro do dispositivo. Um adversário precisar apenas ter acesso direto ao armazenamento do dispositivo para conseguir copiar ou inspecionar seus dados sem ter sua senha.

    Isto posto, você pode tornar o acesso aos seus segredos mais difícil para quem eventualmente venha a roubar fisicamente seus dados. Listaremos aqui algumas maneiras por meio das quais você pode ajudar a manter seus dados seguros.

    Criptografe seus dados

    Se você utilizar criptografia, seu adversário precisará tanto do seu dispositivo quanto da sua senha para decodificar os dados criptografados. Portanto, é mais fácil e seguro criptografar todos os seus dados e não apenas algumas pastas. A maioria dos computadores e smartphones oferecem a criptografia de disco completo como uma opção.

    Para smartphones e tablets:

    • Em dispositivos mais recentes, o Android oferece a opção de criptografia de disco inteiro no momento em que você configura seu dispositivo pela primeira vez. Em dispositivos mais antigos, este recurso pode ser ativado a qualquer momento nas configurações de “segurança”.
    • Dispositivos Apple como iPhone e iPad chamam o recurso de “Proteção de Dados” e o ativam se você configurar uma senha.

    Para computadores:

    • A Apple oferece um recurso embutido de criptografia no macOS, cujo nome é FileVault.
    • Distribuições do Linux geralmente oferecem criptografia de disco inteiro quando você configura seu sistema pela primeira vez.
    • O Windows Vista ou sistemas posteriores oferecem uma ferramenta de criptografia de disco inteiro chamada BitLocker.

    O código do BitLocker é fechado e proprietário, o que significa que é difícil para analistas externos avaliarem exatamente o quão seguro ele é. Usar o BitLocker requer que você confie que a Microsoft fornece um sistema de armazenamento seguro e sem vulnerabilidades ocultas. Por outro lado, se você já estiver usando o Windows, você já está confiando na Microsoft na mesma medida. Se você está preocupado com a vigilância feito por adversários que podem saber ou se beneficiar de um backdoor no Windows ou no BitLocker, avalie começar a utilizar um sistema operacional alternativo de fonte aberta, como o GNU/Linux ou BSD, especialmente uma versão que tenha sido criada para ser mais resistente contra ataques, tal como o Tails ou o Qubes OS. Como alternativa, considere instalar um programa de criptografia de disco alternativo, como o  Veracrypt, para criptografar seu disco rígido.

    Mas lembre-se: independente do nome dado pelo seu dispositivo ao recurso de criptografia, ele será sempre tão eficiente quanto a senha que você utilizar. Se um adversário estiver de posse de seu dispositivo, ele terá todo o tempo do mundo para descobrir suas senhas. Uma forma efetiva de criar e armazenar senhas fortes e simples de lembrar é utilizar um dado de números e uma lista de palavras para escolher palavras aleatoriamente. Juntas, estas palavras formarão sua “frase-chave”. Uma “frase-chave” é um tipo de senha mais comprida, com o objetivo de ser mais segura. Para criptografia de disco inteiro, nós recomendamos utilizar, no mínimo, seis palavras. Para mais informações, leia nosso guia Criando senhas fortes.

    Mas, sendo realista, a maioria de nós não irá memorizar e digitar frases-chaves longas nos nossos smartphones ou dispositivos móveis. Desse modo, enquanto a criptografia pode ser útil para evitar o acesso eventual, você deve preservar os dados que são realmente confidenciais, mantendo-os protegidos do acesso físico de aversários ou isolados à distância em um dispositivo muito mais seguro.

    Crie um dispositivo seguro

    Pode ser difícil manter um ambiente seguro. No melhor dos casos, você tem que mudar senhas, hábitos e talvez até mesmo o software que você usa em seu computador ou dispositivo principal. No pior dos casos, você tem que pensar constantemente se está deixando vazar informações confidenciais ou utilizando práticas inseguras. Mesmo quando você conhece os problemas, você pode não conseguir solucioná-los porque às vezes as pessoas como quem você precisa se comunicar fazem uso de práticas de segurança digitais inseguras. Por exemplo, seus colegas de trabalho podem querer que você continue a abrir anexos de e-mail enviados por eles, mesmo que você saiba que seus adversários poderiam fingir ser um deles para enviar malwares.

    Então qual é a solução? Sugerimos que você separe seus dados e comunicações valiosos em um dispositivo mais seguro. Você pode utilizar este dispositivo para manter uma cópia principal de seus dados confidenciais. Utilize este dispositivo apenas ocasionalmente e, quando o fizer, conscientemente tome muito mais cuidado com suas ações. Se você precisar abrir um anexo ou utilizar software inseguro, faça isto em outra máquina.

    Um computador seguro extra pode não ser uma opção tão cara quanto você imagina. Um computador que raramente é utilizado e que apenas executa alguns programas não precisa ser particularmente rápido ou novo. Você pode comprar um netbook antigo por um preço bem inferior ao preço de um laptop de um telefone modernos. Máquinas mais antigas têm também a vantagem de que softwares seguros, como o Tails, terão maior probabilidade de rodar neles do que em modelos mais recentes. Parte destes conselhos genéricos é quase sempre verdadeira. Quando você comprar um dispositivo ou um sistema operacional, mantenha-o sempre em dia com as atualizações de software/firmware mais recentes. Atualizações muitas vezes corrigem, em softwares antigos, problemas de segurança que poderiam ser explorados por ataques. Observe que alguns sistemas operacionais poderão não ser mais suportados, inclusive para atualizações de segurança.

    Quando for configurar um computador seguro, que passos devo seguir para torná-lo mais seguro?

    1. Mantenha seu dispositivo bem escondido e não fale abertamente sobre sua localização – deixe-o em algum lugar onde você poderá saber caso alguém tenha mexido nele, como, por exemplo, em um armário trancado.
    2. Criptografe o disco rígido de seu computador com uma frase-chave forte, de maneira que, caso seja roubado, os dados continuarão a ser ilegíveis sem sua senha.
    3. Instale um sistema operacional focado em privacidade e segurança, como o Tails. Você pode não conseguir (ou querer) utilizar um sistema operacional de fonte aberta no trabalho do seu dia-a-dia, mas se você precisa apenas armazenar, editar, e escrever e-mails ou mensagens instantâneas a partir deste dispositivo seguro, o Tails funcionará bem e tem as configurações de segurança mais rígidas como padrão de instalação.
    4. Mantenha seu dispositivo offline. Não é nenhuma surpresa que a melhor maneira de se proteger de ataques vindos da internet ou de vigilância online é nunca se conectar à internet. Você pode se certificar de que seu dispositivo seguro jamais se conecte a uma rede local ou a uma rede sem fio e apenas copiar arquivos para ele ou dele utilizando mídias físicas, como por exemplo DVDs ou dispositivos USB. Em segurança de redes, isso é conhecido como um “air gap” entre o computador e o resto do mundo. Apesar de extrema, esta pode ser uma opção caso você deseje proteger dados que raramente acessa, mas que não quer perder (como, por exemplo, uma chave de criptografia, uma lista de senhas ou uma cópia de segurança dos dados pessoais de alguém que foi confiada a você). Na maior parte desses casos, você pode querer considerar ter apenas um dispositivo de armazenamento escondido em vez de um computador completo. Um pen drive USB criptografado e escondido em local seguro, por exemplo, é, provavelmente, tão útil (ou tão inútil) quanto um computador completo desconectado da internet.
    5. Não se conecte às suas contas habituais. Se você utiliza seu dispositivo seguro para se conectar à internet, crie contas separadas de e-mail ou para a web para se comunicar a partir deste dispositivo, e use o Tor (veja guias para Linux, macOS e Windows) para manter seu endereço IP oculto destes serviços. Se alguém escolher especificamente você como alvo para envio de malware ou se estiver simplesmente interceptando suas comunicações, contas separadas e o uso do Tor podem ajudar a quebrar a ligação entre sua identidade e esta máquina específica.

    Ao mesmo tempo em que ter um dispositivo seguro que contenha informações importantes e confidenciais pode ajudá-lo a se proteger de adversários, ele também se torna um alvo óbvio. Há ainda o risco de perder a única cópia de seus dados caso a máquina venha a ser destruída. Se seu adversário pode se beneficiar caso você perca todos os seus dados, não os mantenha em apenas um lugar, independentemente de quão seguro seja este local. Criptografe uma cópia e o mantenha em um local separado.

    Uma alternativa a ter uma máquina extra segura é ter uma máquina insegura: um dispositivo que você só utiliza quando estiver indo para lugares perigosos ou quando está tentando fazer uma operação arriscada. Muitos jornalistas e ativistas, por exemplo, levam consigo um netbook básico quando viajam. Este computador não contém nenhum de seus documentos, nem informações de contatos habituais ou de e-mails e, por isso, haverá perda mínima caso ele seja confiscado ou tenha seus dados copiados. Você pode aplicar a mesma estratégia com telefones móveis. Se você costuma utilizar um smartphone, considere comprar um telefone descartável barato e levá-lo quando for viajar ou quando for fazer comunicações específicas.

    Última revisão: 
    02-11-2018
  • O que é criptografia?

    A criptografia é a ciência matemática de códigos, cifras e mensagens secretas. As pessoas têm utilizado a criptografia ao longo da história para enviar mensagens um ao outro que (se espera) não possam ser lidas por qualquer pessoa além do destinatário.

    Atualmente, temos computadores que são capazes de executar a criptografia para nós. A tecnologia de criptografia digital se expandiu para além das simples mensagens secretas; atualmente, a criptografia pode ser utilizada para propósitos mais elaborados, por exemplo, para verificar o autor das mensagens ou para navegar anonimamente na Web com o Tor.

    Em algumas circunstâncias, a criptografia pode ser automática e simples. Porém, existem casos em que a criptografia pode resultar em erros, e quanto mais você entendê-la, mais seguro estará contra tais situações.

    Três conceitos para entender em criptografia

    Chaves públicas e privadas

    Um dos conceitos mais importantes para entender em criptografia é o da chave. Os tipos comuns de criptografia incluem uma chave privada, que é secretamente mantida em seu computador e permite que leia mensagens que são dirigidas apenas a você. Uma chave privada permite também que você coloque assinaturas digitais não falsificáveis em mensagens que envia para outras pessoas. Uma chave pública é um arquivo que você pode fornecer para outros ou publicar, e permite que as pessoas se comuniquem com você em sigilo e verifiquem suas assinaturas. As chaves públicas e privadas vêm em pares correspondentes, como as metades de uma rocha que foi dividida em duas partes, que se encaixam perfeitamente, mas que não são as mesmas.

    Certificados de segurança

    Outro conceito extremamente valioso para entender é o do certificado de segurança. O navegador da Web no seu computador pode fazer conexões criptografadas a sites utilizando HTTPS. Quando o fazem, examinam certificados para verificar as chaves públicas dos nomes de domínio (como www.google.com, www.amazon.com, ou ssd.eff.org). Os certificados são uma forma de tentar determinar se você sabe a chave pública correta de uma pessoa ou website, de modo que possam se comunicar em segurança.

    Esporadicamente, você verá mensagens de erro relativas ao certificado na Web. Normalmente, isso é porque uma rede de um hotel ou café esteja tentando quebrar suas comunicações sigilosas com o website. Também é comum ver um erro devido a um equívoco burocrático no sistema de certificados. Ocasionalmente, porém, isso acontece porque um hacker, um ladrão, uma agência de polícia ou agência de espionagem está quebrando a conexão criptografada.

    Infelizmente, é extremamente difícil dizer a diferença entre esses casos. Isso significa que você nunca deve clicar ignorando os avisos de certificados, se este está relacionado com um site onde você tem uma conta ou está lendo alguma informação confidencial.

    Chave de autenticação digital

    A palavra “digital” tem muitos significados na área da segurança em computação. Um uso do termo é uma “chave de autenticação digital”, um conjunto de caracteres como "342e 2309 bd20 0912 ff10 6c63 2192 1928" que lhe permite de maneira única e segura verificar que alguém na rede de Internet está utilizando a chave privada correta. Se você verificar que as chaves de autenticação digitais de alguém são as corretas, isso te dá certo grau de certeza que eles são realmente eles. Porém, esse método não é perfeito, se as chaves são copiadas ou roubadas, qualquer outra pessoa poderia utilizar a mesma autenticação digital.

    Última revisão: 
    22-04-2015
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